- Governo brasileiro aguarda decisão dos EUA sobre novas tarifas de 25% e 12,5% sobre exportações.
- Equipe de Lula avalia possibilidade de confirmação das tarifas e ampliação da lista de isenções.
- 43 empresas norte-americanas pedem exclusão de produtos brasileiros da lista de tarifas.
- Governo brasileiro planeja manifestação oficial caso tarifas sejam confirmadas.
- Diplomacia brasileira avalia influência política das tarifas sobre o cenário interno do país.
O governo brasileiro aguarda a decisão dos Estados Unidos sobre a possível aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A expectativa é que a Casa Branca anuncie sua decisão até quarta-feira (15).
A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com a possibilidade de que as novas tarifas sejam confirmadas. A avaliação ganhou força após declarações do representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, de que os dois países ainda estão distantes de um acordo.
Apesar disso, integrantes do governo brasileiro consideram a possibilidade de que a decisão venha acompanhada de uma ampliação da lista de produtos isentos das sobretaxas.
Empresas americanas pedem exclusão de produtos brasileiros
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos solicitaram ao governo norte-americano que determinados produtos brasileiros fiquem fora da lista de tarifas. Os pedidos argumentam que esses produtos não possuem substitutos produzidos no mercado norte-americano, o que poderia gerar impactos para empresas locais.
Caso as tarifas sejam confirmadas, o governo brasileiro pretende divulgar uma manifestação oficial classificando a medida como "inaceitável" e reiterando que a política tarifária brasileira já favorece as exportações dos Estados Unidos. Após o anúncio, equipes técnicas e diplomáticas deverão analisar os detalhes da decisão para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual utilização da Lei de Reciprocidade.
Possibilidade de adiamento é considerada remota
Integrantes do governo avaliam como pouco provável um adiamento da decisão pelos Estados Unidos. Segundo interlocutores, representantes norte-americanos indicaram durante as negociações que o prazo para conclusão do processo seria mantido. O governo brasileiro afirma que não solicitou oficialmente a prorrogação da medida, embora considere que um eventual adiamento poderia permitir a continuidade das negociações.
O pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, defendeu o adiamento da decisão sobre as tarifas. No início do mês, o parlamentar encaminhou uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propondo que a decisão fosse tomada após as eleições brasileiras.
Durante audiência pública realizada nos Estados Unidos, Flávio voltou a defender o adiamento, afirmando que a adoção das tarifas neste momento poderia beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Diplomacia acompanha cenário político
Segundo o texto, integrantes da diplomacia brasileira avaliam, de forma reservada, que setores do governo norte-americano podem buscar influenciar o cenário político brasileiro por meio das decisões relacionadas às tarifas.
Entre as possibilidades consideradas está um eventual adiamento da medida como sinalização política, hipótese que, segundo a reportagem, é acompanhada pelo governo brasileiro enquanto aguarda a decisão oficial da Casa Branca.