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Futuro da esquerda: PT articula filiação de Janones, Boulos e Erika Hilton após eleições

Segundo o analista Pedro Venceslau, partido avalia atrair parlamentares do PSOL e da Rede após as siglas não atingirem a cláusula de desempenho

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  • PT articula filiação de Boulos, Erika Hilton e Janones para reorganizar esquerda após eleições.
  • PSOL e Rede não atingiram cláusula eleitoral e enfrentam restrições de acesso a recursos.
  • Fusão ou federação entre partidos é proposta para manter representatividade política.
  • Mudança de partido exige autorização legal ou aguardar janela partidária próxima.
  • Parlamentares são vistos como apostas para eleições municipais futuras.
André Janones e o presidente Luiz Inácío Lula da Silva; Erika Hilton e Guilherme Boulos | Foto: Reprodução/ @andrejanones/@hilton_erika
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O Partido dos Trabalhadores (PT) articula a possível filiação de três nomes de destaque da esquerda brasileira: André Janones (Rede-MG), Guilherme Boulos e Erika Hilton, ambos do PSOL-SP. A movimentação, segundo o analista de política Pedro Venceslau, da CNN Brasil, começou a ser discutida antes do segundo turno das eleições.

Durante o programa CNN 360º, nesta terça-feira (27), Venceslau afirmou que o partido já avaliava os rumos da esquerda para 2027, diante da possibilidade de derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.

Segundo o analista, a ideia era aproveitar o período para uma reavaliação estratégica do campo progressista. Uma das propostas discutidas seria a formação de uma federação mais ampla entre PT, PCdoB, PV e PSOL, caso o resultado eleitoral fosse desfavorável à esquerda.

PSOL e Rede ficam abaixo da cláusula de desempenho

O PSOL e a Rede Sustentabilidade, que integram uma federação partidária, não atingiram a cláusula de desempenho eleitoral. Com isso, as siglas ficam sujeitas às restrições de acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão previstas para partidos que não alcançam os requisitos legais.

Para Venceslau, uma alternativa para que as legendas mantenham sua representatividade política seria formar uma federação ou se fundir a outras siglas.

“Para o PSOL e para a Rede, a oportunidade que eles têm para continuarem sendo partidos representativos no Congresso Nacional é fazer uma federação ou uma fusão com outras legendas”, afirmou o analista.

A possibilidade de filiação de Boulos e Erika Hilton ao PT, segundo Venceslau, já era discutida antes do primeiro turno. Os dois integram uma corrente interna do PSOL que defendia apoio integral a Lula e a formação de uma federação com os petistas.

A proposta, porém, perdeu força nas disputas internas do partido. O PSOL decidiu manter a federação com a Rede, em uma tentativa de preservar a autonomia das duas legendas e evitar que se tornassem, nas palavras do analista, “satélites” do PT.

Ainda segundo Venceslau, havia expectativa de que o PSOL superasse a cláusula de desempenho, especialmente por contar com nomes de forte apelo eleitoral, como Erika Hilton, Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Rick Azevedo (PSOL-RJ).

Mudança de partido depende de autorização

A eventual migração dos parlamentares também envolve questões jurídicas. Como regra, a troca de partido por deputados federais fora das hipóteses previstas na legislação pode levar à perda do mandato por infidelidade partidária.

Por isso, segundo Venceslau, uma transferência antes da janela partidária dependeria de autorização das respectivas siglas, caso não houvesse outra hipótese legal aplicável.

“Ou o partido autoriza ou eles teriam que esperar até a janela de transferência partidária próxima da eleição de 2028 ou de 2030”, explicou o analista.

PT vê nomes como apostas para eleições municipais

Além da reorganização partidária, os três parlamentares são apontados como possíveis nomes para futuras disputas municipais.

Guilherme Boulos concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Ricardo Nunes. Depois da eleição, assumiu um ministério no governo Lula e manteve projeção política, sendo considerado uma possível aposta para uma nova disputa na capital paulista.

André Janones, por sua vez, é visto como um possível candidato à Prefeitura de Belo Horizonte.

A eventual entrada dos três no PT, no entanto, depende das negociações partidárias e das condições legais para a mudança de legenda.

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