- Senador Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil após decisão judicial que exigia devolução dos passaportes.
- Jornal espanhol atribui fuga a apoio velado de Trump e rede de alianças conservadoras na América Latina.
- Analistas apontam bloco político alinhado a Trump que ignora legislações locais e direito internacional.
- Trump nega interferência nas eleições brasileiras e diz considerar processo eleitoral “muito estranho”.
- Flávio Bolsonaro permanece nos EUA por um ano e publica carta declarando-se “líder” do Brasil.
O jornal espanhol “El país” atribuiu a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) a um apoio velado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também ao que o periódico caracterizou como “uma rede de alianças” entre países latinoamericanos liderados por regimes conservadores que teriam facilitado a fuga do ex-candidato à presidência.
A reportagem consultou especialistas que apontaram a existência de um bloco político ideologicamente alinhado com Trump que desrespeita as legislações locais.
Trata-se de uma rede com comportamento idêntico ao de Trump, onde o direito internacional é irrelevante. O governo dos EUA não o respeita, e o caso Bolsonaro é mais uma prova disso. Isso tem um efeito de contágio sobre seus aliados na região, que optam por ignorar a legalidade. Trump dita o padrão, e seus aliados evitam qualquer decisão que possa irritá-lo: eles estão alinhados e seguem a política que ele define, afirma Michael Shifter, ex-presidente do Diálogo Interamericano e um dos analistas de política hemisférica mais influentes de Washington.
TRUMP NEGA APOIO
Durante as entrevistas concedidas desde a fuga de Flávio do Brasil, Donald Trump afirmou que não iria interferir no tema após o senador desembarcar em solo norte-americano. O governo concedeu a permanência de um ano no país para ele e a família.
No entanto, o líder dos EUA disse não ter interferido nas eleições presidenciais no Brasil a pedido do presidente Lula, mas voltou a dizer considerar o processo “muito estranho”.
Flávio saiu do país na terça-feira (27) após uma determinação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que o obrigava a entregar os passaportes. A medida foi descumprida, o senador deixou o Brasil e publicou uma carta onde se declarava “líder” do Brasil.