- Flávio Bolsonaro nega ter recebido ajuda externa para fugir do Brasil após eleições.
- Senador afirma que decidiu sair do país com a esposa por medo de prisão após derrota.
- Flávio contesta resultado eleitoral e alega que vitória de Lula foi "matematicamente impossível".
- Ele criticou medidas eleitorais do PT, acusando de vantagem injusta para Lula.
- Informações apontam que Trump autorizou entrada de Flávio nos EUA, mas ele nega.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) concedeu entrevista pela primeira vez desde que deixou o Brasil após o segundo turno das eleições presidenciais. Ao New York Times, o parlamentar negou ter recebido ajuda externa afirmando que como escapou do Brasil é algo que levará para o “túmulo”.
"Como cheguei aqui vou levar isso para o túmulo comigo", disse. Após desembarcar em Miami, na Flórida, a suspeita de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sido um aliado na fuga de Flávio começou a tomar forma. Ele nega tal hipótese e diz que apenas autorizou a entrada do brasileiro em território norte-americano.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal, um funcionário da Casa Branca teria sido o responsável por organizar o jatinho que transportou Flávio até Miami e a entrada do senador foi autorizada de forma direta por Trump.
"Foi tudo por minha conta", afirmou ao jornal. "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, voltou a afirmar
DECISÃO ESPONTÂNEA
O parlamentar afirmou que a decisão de sair no Brasil foi tomada em conjunto com a esposa já que, em sua análise, ele poderia acabar enfrentando o mesmo destino do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Ao jornal, ele relatou que decidiu na manhã seguinte após ser derrotado nas urnas. Na ocasião, Flávio deixava o condomínio onde o pai cumpre prisão domiciliar quando teria sido informado pelas autoridades de que deveria entregar seus passaportes em 24 horas.
QUESTIONOU ELEIÇÕES
Além de comentar sua saída do Brasil, Flávio voltou a contestar o resultado das eleições presidenciais, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos. Apesar de seu partido ter reconhecido a derrota, o senador declarou ao jornal norte-americano que a vitória do petista seria "matematicamente impossível".
"Sei que isso não vai levar a nada", afirmou, ao demonstrar insatisfação com o resultado. "Perdi para o sistema."
O parlamentar também criticou as medidas do chamado pacote de "bondades" anunciado por Lula às vésperas das eleições. As iniciativas foram alvo de questionamentos por terem sido lançadas no período eleitoral e envolverem possíveis custos aos cofres públicos, levantando suspeitas de uso eleitoreiro. Na avaliação de Flávio, as medidas teriam concedido uma vantagem injusta ao presidente eleito.