A família de Luiz Felipe da Silva Lisboa, de 19 anos, atropelado na madrugada do Ano Novo, formalizou na manhã desta segunda-feira (5) um pedido de cassação do mandato do presidente da Câmara Municipal de Varginha, Marco Antônio de Souza, o Marquinho da Cooperativa (Mobiliza). A informação foi confirmada pela Câmara, que afirmou que os procedimentos previstos no regimento interno serão observados.
DENÚNCIA NA CÂMARA E NA JUSTIÇA
De acordo com a defesa da vítima, a iniciativa se baseia em suposta infração político-administrativa. O advogado Juliano Comunian, que representa Lisboa, afirmou que outras medidas judiciais também serão adotadas.
“Essa denúncia é por ato de infração político-administrativa, pedindo a cassação do vereador por reiteradas ações nesse sentido. Além da denúncia perante a Câmara, haverá uma representação perante a Justiça Criminal e certamente haverá uma ação de indenização contra o mesmo vereador”, declarou.
TRÂMITES INTERNOS
Ainda nesta manhã, vereadores se reuniram a portas fechadas para discutir o caso, sem a presença da imprensa. O conteúdo da reunião não foi divulgado. Segundo a assessoria da Casa, uma nova sessão deverá ser convocada para decidir se será aberto ou não o processo de cassação, o que deve ocorrer somente após 5 de fevereiro, quando termina o recesso legislativo.
Marquinho da Cooperativa foi eleito presidente da Câmara no início de 2025 e exerce atualmente o terceiro mandato como vereador.
VERSÃO DO VEREADOR
Também nesta segunda-feira, o parlamentar concedeu entrevista coletiva e apresentou um laudo médico emitido pelo Hospital Bom Pastor, para onde foi levado após o episódio. No documento, consta que ele estava “consciente, orientado, em posse de suas faculdades mentais, sem sinais de embriaguez”.
Segundo o vereador, o registro reforça a versão de que não havia ingerido bebida alcoólica. Sobre a acusação de fuga, Marquinho afirmou que não percebeu o atropelamento.
“Eu não vi o atropelamento. Tinha muita gente, o local é escuro, o prefeito precisa iluminar aquele local e tinha várias pessoas. Não fugi de lugar nenhum, fui embora para minha casa. Se eu fugisse, eu não ia para minha casa. Eu cheguei em casa, a polícia chegou e falou que eu tinha atropelado uma pessoa. Não senti impacto, porque ali tem vários redutores de velocidade. Então passei normal, fui para minha casa normal, sem fugir”, alegou.
RELATO POLICIAL
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais que atenderam a ocorrência registraram sinais claros de embriaguez, como hálito etílico, olhos avermelhados e fala desconexa. O documento também aponta que o vereador teria se recusado a realizar o teste do bafômetro.
Marquinho contesta a versão e afirma que condicionou o exame à presença de seu advogado.
“Na hora eu falei para ele [policial] que na hora que meu advogado chegasse, eu ia fazer tudo, mas ele não deixou eu chamar advogado. É isso que eu tenho que passar para vocês, vou passar o resto para a Justiça”, disse.
O ATROPELAMENTO
Luiz Felipe foi atingido pelas costas enquanto retornava da festa da virada, acompanhado da namorada e de um amigo, nas imediações do Centro de Eventos Mauro Brito, na Avenida Celina Ferreira Tony. Imagens de câmeras de segurança registraram, minutos antes, a caminhonete do vereador colidindo com um contêiner em um bairro próximo. O parlamentar afirmou que a batida ocorreu porque se distraiu ao olhar o celular.
Após o atropelamento, Marquinho foi localizado pela Polícia Militar em uma área de chácaras. Ele acabou preso em flagrante por suspeita de omissão de socorro e condução sob efeito de álcool, mas foi liberado no dia seguinte, após audiência de custódia, mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil e cumprimento de medidas cautelares.
ESTADO DE SAÚDE
Luiz Felipe sofreu múltiplos ferimentos pelo corpo e no rosto. Segundo a defesa, ele precisou retornar ao hospital após a alta inicial devido à persistência de fortes dores.