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Fachin defende fim do inquérito das fake news e diz que resposta à crise no STF será 'rigorosa'

Presidente da Corte também defendeu a adoção de um código de ética e afirmou que não haverá “precipitação ou omissão”

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  • Presidente do STF defende fim do inquérito das fake news e criação de código de ética.
  • Fachin afirma que resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa.
  • Relatório da PF expõe mensagens entre ex-banqueiro e ministro Alexandre de Moraes.
  • PGR questiona procedimento da PF e pede nulidade da apuração conduzida por Mendonça.
  • Fachin determina que pedido contra Mendonça passe a tramitar em processo separado.
Edson Fachin | Foto: Carlos Alves Moura
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu nesta sexta-feira (4) o fim do inquérito das fake news e a adoção de um código de ética na Corte. A declaração ocorre em meio à crise envolvendo ministros do Supremo e desdobramentos da investigação sobre o Banco Master.

“Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça”, afirmou.

Fachin falou durante um evento no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do advogado-geral da União, Jorge Messias, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de outras autoridades. A cerimônia tratava de uma sanção relacionada a fundos do sistema de Justiça.

Fachin fala em resposta rigorosa

Ao comentar a crise, Fachin afirmou que a resposta institucional será “firme, proporcional e rigorosa”. O presidente do STF também disse que não haverá “precipitação, tampouco omissão” e ressaltou que nenhuma autoridade está acima da Constituição.

Segundo o ministro, os fatos estão sendo apurados dentro dos procedimentos previstos pela legislação. Ele afirmou ainda que a gravidade das questões não justifica medidas fora das regras jurídicas.

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais”, declarou.

Presidente do STF defende fim do inquérito

Na mesma declaração, Fachin citou o encerramento do inquérito das fake news como uma das prioridades de sua gestão à frente do Supremo.

Além disso, o ministro defendeu a criação de um código de ética para o STF e a modernização do sistema de Justiça.

Relatório da PF expõe mensagens de Vorcaro

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal (PF) com mensagens obtidas do celular do ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O documento apresenta trocas de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes ao longo de 2024 e 2025.

O relatório também aborda um contrato de prestação de serviços entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e o Banco Master.

Segundo análise de metadados feita pela PF, a última modificação do arquivo da minuta do contrato ocorreu em 15 de janeiro de 2024, por um usuário identificado como “ministro Alexandre de Moraes”.

PGR questiona investigação

Após a retirada do sigilo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade da apuração conduzida por Mendonça.

Para Gonet, houve problemas no procedimento adotado pela PF, especialmente pelo fato de a investigação ter alcançado autoridades com foro no STF. O procurador também afirmou que cabe ao Ministério Público, e não ao magistrado, conduzir investigações pré-processuais.

Moraes e Mendonça | Foto: Getty Images

Moraes pede investigação contra Mendonça

Em resposta, Alexandre de Moraes utilizou o inquérito das fake news para pedir a Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça.

Moraes apontou possíveis crimes relacionados à condução de investigações, às tratativas de delação premiada e ao direcionamento de apurações.

Segundo o ministro, os documentos indicariam três possíveis condutas: interferência na condução das investigações pela PF, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por “motivos pessoais e políticos”.

Fachin dá cinco dias para esclarecimentos

Na noite de quinta-feira (3), Fachin abriu um procedimento para analisar os questionamentos e determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos no prazo de cinco dias.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão o cumprimento das regras da Lei Orgânica da Magistratura em casos envolvendo autoridades com foro no Supremo e possíveis irregularidades relacionadas ao acesso e ao compartilhamento de documentos protegidos por sigilo.

Fachin também quer informações sobre as circunstâncias em que Mendonça determinou a identificação de pessoas mencionadas nas investigações do Banco Master e sobre a atuação da PGR no controle externo da atividade policial.

Após receber as manifestações, o presidente do STF decidirá se leva o caso ao plenário da Corte.

Pedido contra Mendonça sai do inquérito

Ainda nesta sexta-feira (4), Fachin determinou que o pedido apresentado por Moraes para investigar Mendonça seja retirado do inquérito das fake news e passe a tramitar em um procedimento separado, sob sua relatoria.

O novo processo reúne as acusações apresentadas pelos dois lados e não está sob sigilo.

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