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Entenda como funcionava o esquema de fraudes no INSS que envolve deputada do Ceará e empresários

Investigações apontam que parlamentar atuava como articuladora política, enquanto grupo pagava propina a servidores para viabilizar descontos ilegais em aposentadorias

Deputada Gorete Pereira (MDB-CE) | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
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A deputada federal do Ceará Maria Gorete Pereira, filiada ao MDB, é apontada como “articulado política” do esquema de fraudes do INSS que resultou em descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. Ela é um dos alvos de uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (17). 

A parlamentar foi alvo de medidas cautelares, e passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica, além de ter outras restrições impostas pela Justiça.

QUAL O ENVOLVIMENTO DA PARLAMENTAR NO ESQUEMA

As investigações apontam que Maria Gorete teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos para realizar o esquema. Ela também teria “recebido valores por meio de interpostas pessoas e empresas de fachada", diz o documento, citado na decisão.

QUEM SÃO OS ALVOS DA OPERAÇÃO

Além da deputada, a PF investiga outras duas pessoas:

  • O empresário Natjo de Lima Pinheiro, preso de forma preventiva nesta terça-feira (17);
  • A advogada e ex-presidente de associações de aposentados e pensionistas no Ceará Cecília Rodrigues Mota

Na apuração do esquema criminoso, foi identificado o pagamento sistemático de propina com repasses para o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, preso em novembro do ano passado.

"Conforme indicam as análises dos extratos bancários dos recursos atribuídos à STEFANUTTO, no período compreendido entre abril de 2024 a janeiro de 2025, foram repassados ao então Presidente do INSS cerca de R$ 4.000.000,00 a partir de contas vinculadas à investigada CECÍLIA RODRIGUES MOTA", destaca a PF.

A defesa do empresário Natjo Pinheiro afirma que "considera a prisão preventiva decretada medida desnecessária e desproporcional"

COMO ACONTECIA O ESQUEMA?

A apuração do caso aponta que mensagens de celular trocadas no celular de Cecília dão indícios de que ela "pagava propina a servidores do INSS para execução do esquema criminoso de descontos em aposentadorias e pensões".

Além disso, uma das empresas que faziam os repasses era a de Natjo de Lima Pinheiro:  [...] Natjo envia para Cecília os recursos para os pagamentos das propinas mês a mês, para pagamento de servidores do INSS, sob o título COMISSÃO BRASÍLIA BSB", diz o documento.

Já a deputado Maria Gorete Pereira fazia uso da sua influência política  “para viabilizar acordos com o INSS e manter contato direto com autoridades administrativas, bem como pressionava servidores públicos para acelerar processos", prossegue o texto.

"O nome de MARIA GORETE aparece expressamente em tabela de pagamento de propina enviada por mensagem de NATJO a CECÍLIA e ao lado do seu nome aparece a quantia de R$ 780.433,50", diz a PF.

CASO DE FRAUDE DO INSS

As investigações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem chegar a R$6,3 bilhões.

O QUE DIZ OS ENVOLVIDOS?

Até o momento apenas a defesa do empresário Najto Pinheiro se pronunciou sobre o caso através de nota:

O advogado Bruno Queiroz responsável pela defesa de Natjo Pinheiro considera a prisão preventiva decretada medida desnecessária e desproporcional. Desde abril de 2025, o investigado já havia sido alvo de busca e apreensão e bloqueio judicial de bens, medidas que se mostraram plenamente satisfatórias. Os descontos investigados encontram-se paralisados, inexistindo risco de continuidade, e o próprio cumprimento do mandado em sua residência afasta qualquer alegação de risco de fuga. A defesa ingressará com os instrumentos jurídicos cabíveis para revogação da prisão preventiva, afirma o comunicado.

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