O ex-ministro Ciro Gomes anunciou neste sábado (16) sua pré-candidatura ao Governo do Ceará nas eleições de 2026. O lançamento ocorreu durante encontro político realizado no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, reunindo apoiadores, lideranças partidárias e aliados da oposição.
Acompanhado da esposa e de correligionários, Ciro chegou ao Centro Educacional Evandro Ayres de Moura sob clima de mobilização política. Durante o discurso, reforçou diversas vezes o conceito de “lealdade” e direcionou críticas à atual administração estadual.
Chapa começa a ser desenhada
Ao oficializar o projeto eleitoral, Ciro revelou que pretende convidar o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio para compor a chapa como candidato a vice-governador.
Ele também afirmou que Capitão Wagner deve disputar uma vaga ao Senado, enquanto o deputado estadual Pastor Alcides seria o nome indicado pelo PL para a composição do grupo político.
Segundo Ciro, a formação da aliança é necessária para enfrentar os desafios do estado.
"Qual a lógica? Eu peguei os dois últimos candidatos a governador do Ceará que não tiveram êxito, porque o rolo compressor, a compra de votos e a manipulação impertinente da justiça passaram por cima, e pedi a eles para se juntarem , não para eu ser o candidato, para fazer o movimento? E eu virei candidato, mas não era o meu plano nem de longe".
Recusa à Presidência
Antes da fala de Ciro, o ex-senador Tasso Jereissati destacou que o ex-ministro teria recusado disputar novamente a Presidência da República para priorizar a política cearense.
"Ele (o Ceará) deve ser liderado e conduzido pelo povo cearense. Em função disso, quando eu vi que Ciro Gomes estava disposto a renunciar a um convite para ser novamente candidato à Presidência da República, decisão esta que presenciei, (o convite) feito pelo presidente de seu partido, o PSDB, que lhe ofereceu a candidatura, Ciro, com característica que também não existe mais, bastante apaixonada, disse "não, o Meu lugar é no Ceará", disse Tasso.
A candidatura ainda precisará ser confirmada em convenção estadual do PSDB, prevista para ocorrer até agosto.
Críticas à segurança e à saúde
Grande parte do discurso foi marcada por ataques à gestão estadual, especialmente nas áreas de segurança pública e saúde.
Ciro afirmou que o Ceará vive um cenário de avanço das facções criminosas e criticou a ausência de novos delegados na estrutura da Polícia Civil.
"As facções tomaram conta do Estado. O Ceará subiu para um dos primeiros estados do Brasil no cometimento de crimes. Sabe quantos delegados de polícia foram contratados nos últimos dez anos por esses frouxos que governam o Ceará? Nenhum".
Ele também afirmou estar estudando propostas para enfrentar problemas da saúde pública estadual.
Aliança com PL e críticas ao STF
Durante entrevista após o evento, Ciro defendeu a aproximação com partidos de diferentes espectros políticos, incluindo o PL.
Segundo ele, o cenário atual do Ceará justifica a construção de uma ampla aliança de oposição.
"Mas nós entendemos que a emergência do colapso do estado do Ceará em matéria de segurança pública, em matéria de corrupção, em matéria de desmonte da saúde pública, em matéria de colapso do desenvolvimento, permitem sem nenhuma dificuldade uma aliança", disse Ciro.
O ex-ministro também comentou questionamentos sobre eventual proximidade com o senador Flávio Bolsonaro e minimizou o impacto político do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Na mesma agenda, Ciro direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal e afirmou que senadores ligados ao seu grupo deverão atuar para conter o que chamou de “abusos” da Corte.
"Não é possível uma República sobreviver com o nível de abuso que uma fração minoritária ainda do Supremo pratica, não é possível isso".
Disputa deve reeditar antigo racha político
A possível candidatura de Ciro recoloca no centro da disputa o rompimento entre antigos aliados políticos no Ceará. O ex-ministro deve enfrentar o grupo hoje liderado pelo senador Camilo Santana e pelo irmão, Cid Gomes.
O rompimento político da família Ferreira Gomes ocorreu em 2022, durante a escolha do candidato governista ao Palácio da Abolição. Na ocasião, Ciro apoiou Roberto Cláudio, enquanto Cid e Camilo defenderam a então governadora Izolda Cela.
A crise provocou a separação entre PDT e PT no estado e abriu caminho para a eleição do atual governador Elmano de Freitas.
Retorno ao PSDB e nova tentativa estadual
Ciro retorna à disputa estadual pelo mesmo partido que o levou ao Governo do Ceará em 1990: o PSDB.
Ao longo da trajetória política, o ex-ministro passou por diferentes legendas, incluindo PMDB, PPS, PSB, PROS e PDT. Em 2025, oficializou o retorno aos tucanos em cerimônia realizada em Fortaleza ao lado de lideranças da oposição cearense.
A reorganização da oposição em torno de Ciro fortaleceu o PSDB no Ceará, ampliando a bancada do partido na Assembleia Legislativa e recolocando o ex-ministro como uma das principais peças do tabuleiro político estadual para 2026.