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‘Dark Horse’: PF aponta diferença milionária em movimentações financeiras do filme sobre Bolsonaro

PF registrou entrada de US$ 2,8 milhões no Brasil e pediu mais 90 dias para investigar o financiamento do filme

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  • PF identifica divergência contábil de US$ 12 milhões entre saídas e entradas no financiamento de Dark Horse.
  • Dinheiro saiu da Entre Investimentos, ligada a Daniel Vorcaro, e foi destinado ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto.
  • PF pede prorrogação de 90 dias para investigar origem e destino dos recursos usados no filme.
  • Investigação apura se recursos foram utilizados para financiar o filme ou serviram como cobertura para desvio de dinheiro.
  • Outra investigação analisa emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama.
Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em "Dark Horse" | Foto: Instagram/Jim Caviezel
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A Polícia Federal (PF) identificou uma “divergência contábil severa” entre os valores enviados ao exterior e as quantias que entraram no Brasil relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os investigadores, mais de US$ 12 milhões saíram do país, enquanto foram registradas entradas de US$ 2,8 milhões.

A diferença consta em documentos apresentados pela produtora responsável pelo longa e foi incluída entre os elementos usados pela PF para justificar a necessidade de aprofundar as investigações sobre a origem e a destinação dos recursos.

De acordo com a apuração, o dinheiro saiu da Entre Investimentos, empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e foi destinado ao fundo americano Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Em um dos documentos, os investigadores afirmam ser necessário submeter os registros contábeis e bancários a uma perícia para comparar os aportes internacionais, a contabilidade da produtora brasileira e as despesas declaradas.

Uma das hipóteses investigadas é se os valores enviados pela Entre Investimentos ao Havengate foram efetivamente utilizados para financiar o filme ou se a produção teria servido como “narrativa de cobertura” para ocultação, simulação ou desvio de recursos.

PF pede mais 90 dias para investigar financiamento

Na sexta-feira (16), a Polícia Federal pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a prorrogação por 90 dias do inquérito que apura o financiamento de Dark Horse.

A investigação examina pagamentos feitos por Daniel Vorcaro e o papel de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, no financiamento da cinebiografia. Para fundamentar o pedido de prazo adicional, a PF encaminhou documentos que apontam diferenças entre os valores enviados ao exterior e as entradas registradas no Brasil.

Em junho deste ano, a Go UP Entertainment, produtora responsável pelo longa, declarou que o filme custou ao menos R$ 75,1 milhões. A informação consta em um documento anexado ao inquérito da Polícia Civil que investiga a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da empresa.

Do total declarado, R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil.

Em nota, a defesa da Go UP afirmou que a perícia demonstrará a legalidade do financiamento da produção. “A perícia irá revelar a lisura e legalidade de todas as captações do financiamento desta obra extraordinária em apoio a esta iniciativa histórica de minha cliente GO UP”, declarou.

PF apura destino dos recursos e possível repasse a Eduardo Bolsonaro

A investigação sobre Dark Horse se concentra em três frentes: os repasses feitos por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro; a possibilidade de parte dos recursos ter sido utilizada para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme.

Eduardo Bolsonaro negou ter recebido dinheiro de um fundo ligado a Vorcaro. Ele afirmou que sua situação migratória nos Estados Unidos não permitiria esse tipo de repasse e disse ter informado às autoridades americanas a origem de seus recursos.

Também veio a público um contrato no qual o ex-deputado aparece como produtor-executivo de Dark Horse. Eduardo afirmou ter investido US$ 50 mil no projeto e recebido o valor de volta posteriormente, mas negou que o reembolso tenha passado pelo fundo que recebeu recursos ligados a Vorcaro.

Outra investigação apura emendas parlamentares

Uma segunda investigação, sob responsabilidade do ministro do STF Flávio Dino, apura suspeitas relacionadas ao envio de recursos públicos a organizações ligadas a Karina Ferreira da Gama.

O caso chegou ao Supremo após a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) pedir a apuração. O foco são R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias para entidades relacionadas à empresária.

Entre as organizações estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), ambos presididos por Karina Ferreira da Gama. A Go UP Entertainment não foi alvo dos mandados de busca relacionados a essa frente da investigação.

Mario Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, afirmou ao STF, em maio, que as emendas destinadas às organizações não foram utilizadas para financiar a produção do filme.

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