- Investigação do caso Master revela custos de R$ 20,9 milhões com produção do filme Dark Horse no Brasil.
- Hospedagem de Jim Caviezel e equipe custou R$ 733 mil, sendo parte dos gastos com hotéis.
- Produção gastou R$ 10 mil com peruca para personagem de Bolsonaro e R$ 518,5 mil com figurino.
- Logística da produção incluiu R$ 375,9 mil com motoristas, vans e caminhões e R$ 402,7 mil com veículos.
- Documentos da GoUp foram analisados pela Polícia Federal como parte da investigação sobre recursos da produção.
Documentos que integram a investigação do caso Master e tiveram o sigilo retirado por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam detalhes sobre os custos da produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo registros da empresa GoUp, a produção do longa no Brasil movimentou R$ 20,9 milhões. A quantia inclui despesas com elenco, figurantes, equipe técnica, produção executiva, equipamentos, figurino, transporte, hospedagem, segurança, fornecedores e outros custos operacionais.
Entre os valores que aparecem na documentação estão mais de R$ 1,4 milhão destinados a hotéis. Parte expressiva dessa quantia corresponde à hospedagem do ator norte-americano Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro no filme.
Os documentos também registram gastos considerados específicos da produção, como aluguel de perucas e apliques, contratação de veículos, serviços de costura e lavanderia, além de despesas com motoristas, vans e caminhões.
A produção de Dark Horse é mencionada pela Polícia Federal como um dos elementos analisados na investigação sobre a destinação de recursos apurados no inquérito.
Os dados foram incluídos na documentação cuja quebra de sigilo foi determinada por Mendonça na sexta-feira (11).
Hospedagem de Caviezel supera R$ 733 mil
Os gastos com acomodação estão entre os maiores itens detalhados nos documentos da GoUp.
Ao todo, as despesas com hotéis chegaram a R$ 1.426.897,51. Desse montante, R$ 733.913,20, aproximadamente 51%, foram destinados exclusivamente à hospedagem de Jim Caviezel.
Os registros também apontam pagamentos referentes à estadia do ator, de seu agente, Nath Lewis, e de integrantes da equipe de segurança.
Em 8 de dezembro de 2025, por exemplo, houve uma transferência de R$ 107,5 mil ao hotel Unique, em São Paulo. O pagamento foi identificado como a sexta e última parcela da hospedagem de Caviezel, do agente e dos seguranças.
Outro desembolso, registrado em 30 de dezembro, chegou a R$ 298,3 mil. A descrição relaciona o valor à hospedagem do ator e inclui gorjetas e serviços de massagem.
As notas fiscais anexadas ao processo também apresentam períodos específicos de estadia.
Uma delas, emitida em 24 de novembro, registra R$ 107,5 mil referentes à hospedagem de Nathon Shayne Lewis, James Patrick Caviezel e Richard Michael Dobrich entre 5 e 9 de novembro.
Na mesma data, outro documento aponta R$ 124,5 mil pela permanência do mesmo grupo entre 1º e 5 de novembro.
Já uma nota fiscal emitida em 27 de novembro registra mais R$ 107,5 mil para a hospedagem dos três entre 9 e 13 de novembro. Nos documentos, todas essas despesas aparecem vinculadas ao “projeto TDH”, sigla associada ao filme.
Também foram identificados dois pagamentos de R$ 34.417,80 cada, realizados nos dias 3 e 17 de novembro, para a hospedagem de dois seguranças ligados à produção.
Peruca para personagem de Bolsonaro custou R$ 10 mil
A caracterização dos personagens também aparece entre as despesas da produção.
Um dos registros chama atenção pelo valor: a GoUp pagou R$ 10 mil pelo aluguel de uma peruca utilizada por Jim Caviezel para interpretar Jair Bolsonaro.
A documentação ainda apresenta outros gastos com caracterização. Foram destinados R$ 3 mil à locação de apliques para uma das personagens.
Também aparecem R$ 5,5 mil relacionados à compra de perucas para o dublê de um dos personagens e de um kit de dreadlocks.
Produção gastou R$ 518,5 mil com figurino
O figurino representou outro custo significativo do filme. Conforme a relação de despesas, foram gastos R$ 518,5 mil nessa área.
O maior desembolso, de R$ 210 mil, foi destinado à equipe responsável pelo figurino, dividido em 26 pagamentos.
Outros R$ 157,5 mil foram empregados na locação de peças e no acervo utilizado pela produção.
A documentação registra ainda R$ 120 mil para o transporte dos itens e R$ 30,9 mil em serviços de costura, bordado e lavanderia.
Os comprovantes também incluem materiais utilizados na caracterização dos personagens, entre eles perucas e outros acessórios.
Logística inclui motoristas, vans e caminhões
Os documentos revelam ainda parte da estrutura utilizada para transportar equipe e materiais durante as gravações.
Foram identificados 81 pagamentos relacionados a motoristas, vans e caminhões. Juntos, esses gastos somaram R$ 375,9 mil.
A produção também realizou quatro pagamentos para aquisição de veículos, que totalizaram R$ 402,7 mil.
Já as despesas com estacionamento aparecem em 32 registros e alcançam R$ 14 mil.
Os valores fazem parte da documentação analisada no inquérito e ajudam a detalhar como os recursos relacionados à produção de Dark Horse foram empregados durante as atividades realizadas no Brasil.