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CPI do Crime aprova investigação sobre beneficiários de fundos ligados ao Master

Comissão também convoca empresária ligada a banqueiro investigado

CPI do Crime aprova investigação sobre beneficiários de fundos ligados ao Master | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), requerimentos para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Entre as medidas aprovadas está o pedido de identificação dos beneficiários finais de fundos de investimento vinculados ao banco e à empresa Reag Investimentos.

Por outro lado, a comissão rejeitou propostas apresentadas por parlamentares da base governista, como a quebra de sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes e a convocação do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, como testemunha.

Investigação sobre beneficiários

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que identificar os beneficiários finais dos fundos investigados é essencial para esclarecer o fluxo de recursos suspeitos.

“O desafio imenso nesse trabalho de identificação desse fluxo de lavagem de dinheiro é chegar ao beneficiário final. Hoje você usa várias camadas de fundos para ocultar o verdadeiro destino e o verdadeiro dono do dinheiro”.

O requerimento aprovado solicita informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central, à Receita Federal e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima).

Segundo o senador, esse tipo de estrutura financeira pode ser usado para ocultar a origem de recursos ilícitos.

“O capital ilícito é inserido no mercado financeiro formal e distanciado de sua origem criminosa por meio de sucessivas transações aparentemente regulares”.

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Convocações aprovadas

Entre os requerimentos aprovados pela comissão está a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo parlamentares, ela teria recebido um imóvel avaliado em cerca de R$ 450 milhões, o que pode configurar tentativa de ocultação de patrimônio.

A CPI também aprovou a convocação de dirigentes e sócios da empresa Prime Aviation, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico da companhia.

De acordo com a autora do requerimento, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), a empresa pode ter papel relevante no esquema investigado.

Requerimentos rejeitados

Durante a sessão, a comissão rejeitou por seis votos contra dois o pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes.

Também foi rejeitado, por seis votos a quatro, o requerimento para convocar o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, para prestar depoimento.

Parlamentares da oposição argumentaram que os pedidos extrapolavam o escopo inicial da CPI.

“Responsabilizar ou quebrar o sigilo em razão de uma pseudo-acusação de possível envolvimento é algo absurdo, é algo que fragiliza o papel da CPI”, afirmou o senador Marco Rogério (PL-RO).

Debate político na comissão

Por outro lado, senadores da base governista defenderam a ampliação das investigações.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o suposto esquema investigado teria crescido durante o governo anterior.

“Aconteceu sob a guarda e a proteção do Banco Central, do Ministério da Fazenda e de um campo político. Então, não dá para a gente querer tirar a política deste escândalo”.

Depoimento cancelado

A CPI também previa ouvir nesta quarta-feira o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, que foi afastado do cargo por suspeitas de ligação com Daniel Vorcaro.

No entanto, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornou o comparecimento facultativo, e ele optou por não participar da sessão.

As investigações da CPI continuam com o objetivo de esclarecer o funcionamento do suposto esquema financeiro ligado ao Banco Master.

Com informações da Agência Brasil

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