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Como Janones foi de ex-cobrador de ônibus a deputado e 'general' de Lula

Grupo no Whatsapp, criado para concentrar as instruções para a esquerda, chegou a mais de 10 milhões de usuários

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  • Deputado André Janones liderou mobilização digital em favor da reeleição de Lula, com mais de 10 milhões de seguidores no WhatsApp.
  • Janones organizou a militância no Exército do Lula, impulsionando hashtags e ações em defesa do presidente durante a campanha.
  • Após a vitória de Lula, Janones foi elogiado pelo presidente, que destacou a eficácia da mobilização digital em favor da democracia.
  • Janones rejeitou o título de "cara da virada" e afirmou ter canalizado a energia de Lula durante a campanha eleitoral.
  • Parlamentar foi alvo de processo de cassação por denúncia de rachadinha e teve mandato suspenso por ofensas a outro deputado.
André Janones | Foto: Reprodução
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“Pessoal, urgente”, “explode” e “missão do dia” estiveram entre as frases mais repetidas pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) nos 20 dias que separaram o primeiro do segundo turno. À frente do canal de WhatsApp Exército do Lula, ele organizou a atuação da militância em favor da reeleição do presidente e passou a disputar espaço na arena digital com apoiadores do candidato derrotado do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, em uma movimentação considerada decisiva para a vitória.

O grupo no aplicativo de mensagens, criado para concentrar as instruções destinadas à esquerda, chegou a mais de 10 milhões de seguidores, impulsionado por missões publicadas diariamente pelo deputado. Com essa estratégia, os apoiadores do presidente se mobilizaram em um ambiente dominado pelo bolsonarismo, que se organizou nas redes sociais ao longo da última década.

Ao fim da apuração, no domingo, a mobilização digital liderada por Janones foi apontada como decisiva para a virada de Lula e recebeu elogios do presidente em seu primeiro discurso após a vitória.

— Eu quero aproveitar o meu general Janones aqui e dizer o seguinte, eu duvido que a Rússia, que a China e que os Estados Unidos tenham um exército vitorioso como o exército da democracia desse país — disse Lula, que chegou a participar de transmissões ao vivo com o deputado.

Janones rejeitou o título de “o cara da virada” e afirmou que apenas “canalizou a energia de Lula” durante a campanha. Em uma publicação em resposta ao presidente colombiano Gustavo Petro, que elogiou sua atuação, o deputado se colocou à “disposição da esquerda mundial para combater a extrema direita e erradicar de uma vez por todas a ameaça fascista”.

De trocador de ônibus a advogado

A estratégia digital ajudou a impulsionar hashtags e buscas no Google por termos relacionados ao caso Ana Clara e a outros episódios negativos envolvendo Flávio Bolsonaro. Pelo Exército do Lula, Janones também estimulou a participação de apoiadores em atos de rua e criou tendências replicadas em massa, como a publicação de fotos de eleitores fazendo o gesto de “L” e usando a camisa verde e amarela associada aos bolsonaristas.

Antes de assumir a liderança da mobilização digital, Janones foi reeleito para a Câmara dos Deputados com 78.119 votos. O resultado, no entanto, representou uma queda expressiva em relação a 2022, quando foi o segundo candidato mais votado para a Casa em Minas Gerais, com 238 mil votos. Na primeira eleição, em 2018, recebeu 179 mil votos, impulsionado pela atuação durante a greve dos caminhoneiros. Mesmo sem fazer parte da categoria, ganhou projeção com transmissões ao vivo nas quais divulgava atualizações sobre a paralisação.

Janones trabalhou como trocador de ônibus enquanto cursava Direito como bolsista. Depois de formado, ficou conhecido por atuar gratuitamente como advogado de pacientes que buscavam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Ituiutaba (MG), cidade onde concorreu à prefeitura em 2016.

Quatro anos depois, já na Câmara, voltou a chamar atenção nas redes sociais com uma campanha em defesa da manutenção do auxílio emergencial de R$ 600, pago durante a pandemia.

Em 2022, foi pré-candidato à Presidência pelo Avante, mas desistiu da disputa para apoiar Lula, apostando em sua forte presença digital em defesa do petista. Na época, seu comportamento combativo chegou a preocupar integrantes da equipe de Lula, que temiam que a postura do deputado prejudicasse a imagem de moderação construída para o candidato, na tentativa de atrair eleitores de centro e indecisos.

Durante a campanha, Janones teve suas redes monitoradas, publicações removidas por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi proibido de associar o ex-presidente Jair Bolsonaro ao ataque promovido pelo ex-deputado Roberto Jefferson contra policiais federais. Após a vitória de Lula, em um livro no qual relatou os bastidores da campanha, Janones admitiu ter divulgado mentiras para “desestabilizar” o candidato do PL.

Controvérsias e punições

Apesar da atuação de destaque na campanha, marcada por polêmicas, Janones ficou de fora da composição do governo e permaneceu na base de apoio a Lula na Câmara dos Deputados.

Em 2024, o parlamentar foi alvo de um pedido de cassação do mandato relacionado a uma denúncia de “rachadinha” em seu gabinete. O caso foi objeto de um acordo de não persecução penal assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No ano seguinte, o Conselho de Ética da Câmara suspendeu Janones por três meses após ele se referir ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como “Nikole” e “chupetinha” durante um discurso na tribuna.

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