- O presidente Lula defendeu a soberania dos países durante a Cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França.
- Lula criticou o protecionismo e o unilateralismo, afirmando que essas práticas são respostas inadequadas para problemas globais complexos.
- O presidente brasileiro também chamou atenção para a desigualdade econômica mundial e defendeu cooperação internacional para reduzir disparidades.
- Lula participou da reunião ao lado de líderes mundiais, incluindo Donald Trump, mas não se cumprimentaram.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania dos países, criticou o protecionismo e o unilateralismo e cobrou mais cooperação internacional durante sua participação na Cúpula do G7, nesta terça-feira (16), em Evian-les-Bains, na França. O discurso ocorreu diante de líderes das principais economias do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e abordou temas como desigualdade global, comércio internacional e combate ao crime transnacional.
Críticas indiretas ao protecionismo
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou Donald Trump, Lula afirmou que o mundo enfrenta desafios que não podem ser solucionados por medidas unilaterais ou protecionistas. O presidente brasileiro destacou que o avanço dessas práticas representa uma resposta inadequada para problemas globais complexos.
“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, declarou o presidente durante a reunião.
A fala ocorre em meio a recentes tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e outros países, além de debates sobre tarifas e restrições econômicas adotadas pelo governo norte-americano.
Desigualdade global em pauta
Durante sua participação, Lula também chamou atenção para o crescimento da desigualdade econômica mundial. Segundo o presidente, a concentração de renda se intensificou nas últimas décadas e tem ampliado a distância entre países ricos e pobres.
“Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, afirmou.
O presidente defendeu que as nações mais desenvolvidas ampliem a cooperação com países do chamado Sul Global, buscando reduzir disparidades econômicas e promover desenvolvimento sustentável.
Combate ao crime transnacional
Outro tema abordado por Lula foi o enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado internacional. O presidente afirmou que essas ações devem estar associadas às políticas de desenvolvimento e ocorrer por meio da cooperação entre os países.
Segundo ele, organismos internacionais, como a Interpol, podem desempenhar papel importante nesse processo. A defesa da atuação conjunta também foi interpretada como uma resposta indireta a decisões unilaterais adotadas recentemente pelos Estados Unidos em relação a organizações criminosas brasileiras.
Encontro com líderes mundiais
Antes do início dos debates, Lula participou da tradicional sessão de fotos ao lado dos chefes de Estado e de governo presentes no encontro. O presidente brasileiro e Donald Trump estiveram no mesmo ambiente e conversaram brevemente com outros líderes, mas não chegaram a se cumprimentar.
A participação de Lula no G7 ocorre em um momento de discussões sobre comércio internacional, segurança global e desafios econômicos, temas que dominaram a agenda da reunião realizada na França.