Neste mês de fevereiro, fez um ano que entrou em vigor em todo o país a lei 15.100/2025, que proibiu o uso de celulares e eletrônicos por alunos da educação básica em escolas públicas e privadas do Brasil.
Pelas regras em vigor, permite-se o uso estritamente pedagógico com autorização do professor, visando equilibrar o aprendizado tecnológico com o controle de distrações. Isso tem tido efeitos benéficos para a educação, para a aprendizagem e saúde mental dos estudantes.
Os resultados de pesquisas são bastante animadores, demonstrando que 83% tiveram ganho na atenção e 80% dos alunos melhoraram o desempenho no aprendizado, com mais empenho nas aulas, com sensível elevação na absorção de conhecimentos e, do mesmo modo, igualmente, tiveram ganho no processo de socialização.
As pesquisas indicam que 65% dos pais pesquisados concordam que o fim do uso do celular em sala-de-aula foi benéfico para o aprendizado de seus filhos e também contribuiu para melhorar as relações dentro de casa.
Um dado negativo, apesar da vigência da lei, é que ainda há um grande número de escolas, sobretudo entre as instituições privadas, que se negam a seguir a legislação, submetidas a pressões de alunos e até mesmo de pais que, pagando mensalidades caras em escolas de padrões elevados, sentem-se no direito de recusar a restrições a celulares e outros eletrônicos.
Embora haja registros dessa deplorável resistência, os indicadores são positivos e estimuladores, com a medida sendo avaliada de forma favorável por gestores e educadores, que indicam mudanças benéficas no cotidiano, com redução das distrações e maior integração entre os alunos. Professores e analistas educacionais indicam que essa restrição no uso do celular auxiliou na recuperação do foco no processo de aprendizagem e fortaleceu as relações entre os próprios estudantes e entre eles e os servidores da educação. Esse mesmo resultado é apontado pelos pais dentro de casa.
Pelas conclusões da diretora pedagógica de um dos maiores grupos educacionais do país, Christine Loureço, observa-se hoje "um ambiente mais tranquilo, salas de aula com maior responsividade( ou seja, elevação da capacidade de responder de forma rápida, adequada e ativa a estímulos, solicitações e mudanças), e o advento de uma rotina escolar menos fragmentada."
Outro educador, Paulo Henrique Lopes de Aquino, observa que os impactos do não-uso do celular são percebidos em três frentes principais: atenção, engajamento e convivência, com menos fragmentação do raciocínio e uma participação mais ativa e interessada dos estudantes. Ao reduzir o tempo de tela, a escola abriu espaço para o pensamento crítico, a empatia e a autorregulação, que são pilares que sustentam a própria vida dos aprendizes.
A decisão de proibir o uso do celular na escola, uma medida que completa agora um ano de vigência, nasceu do registro de desgastantes consequências trazidas por esses eletrônicos, com redução drástica da concentração de 80% dos alunos, queda no aprendizagem, no desenvolvimento cognitivo, com aumento drástico da ansiedade, do isolamento social e também da depressão, com sérios dados à saúde mental.
Além, evidentemente, da constatação de que o vício em celular e outros eletrônicos - numa fase essencial de formação do intelecto humano, especialmente em crianças até os 9 anos - aumenta os riscos para esses seres em formação, afetando não apenas o aspecto do aprendizado, mas a própria vida em si mesma.
A digitação e o uso excessivo de telas coíbem formas tradicionais de aprendizado, como a escrita à mão, reduzindo a capacidade de memorização e foco, tudo isso influenciando na capacidade de concentração e atrasos no desenvolvimento cognitivo.
O ministro Camilo Santana, da Educação, alerta que o brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos em frente a uma tela. “Nós somos o segundo país do mundo que fica o maior tempo na frente de uma tela. Isso é um prejuízo muito grande para crianças e adolescentes, causa ansiedade, causa déficit de atenção, causa transtornos, distúrbios mentais, uma realidade que precisa mudar, e está mudando.”