SEÇÕES

José Osmando

Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

Lista de Colunas

Termina janeiro e fica o alerta: o adoecimento mental pode até matar

Reflita com o Janeiro Branco sobre o adoecimento mental no Brasil. Veja estatísticas alarmantes, o papel das redes sociais e como promover a prevenção da saúde mental

Janeiro Branco: compreenda o adoecimento mental e prevenção | Reprodução

Este mês que está terminando, é reservado no calendário como Janeiro Branco, para fazer cada um de nós refletir e atualizar sobre a grave realidade em torno do Adoecimento Mental, um problema que se abate sobre as pessoas no mundo, com incidência severa, e até fatal,  no Brasil.

Posta em prática pela primeira vez em Minas Gerais, em 2014, e tornada lei no Brasil  em 2023, (lei federal 14.556, de 25 de abril), a ideia busca chamar a sociedade para um olhar atento sobre o adoecimento mental, sensibilizando-a para cuidar do emocional, e promover a urgente e necessária prevenção acerca de indicativos como ansiedade e depressão.

As estatísticas são preocupantes e os números acerca do adoecimento mental são crescentes. O mal já afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, com a ansiedade e depressão sendo os distúrbios mais prevalentes. No Brasil, algo perto de 10% (9,3%) da população, conforme dados oficiais, rotula o país como o de maior ansiedade do planeta.

Apenas no ano de 2025, em território brasileiro, foram registrados mais de 546 mil afastamentos do trabalho por razões de saúde mental, superando os recordes anteriores, e a demonstrar que o problema não fica apenas no campo da saúde, mas afeta de maneira preponderante o trabalho e a economia. No plano mundial, aproximadamente 27% dos trabalhadores relatam níveis ruins ou péssimos de saúde mental, sendo o estresse responsável por 80%.

Outra grave constatação, além de afetar os trabalhadores, é que o adoecimento mental já alcança entre 13% a 20% das crianças e jovens brasileiros, com o registro de incidência muito mais elevada nos jovens de até 29 anos. E as pesquisas revelam que 52% dos brasileiros consideram sofrer com problemas mentais, o que vai se estabelecendo como o maior problema de saúde pública, nos níveis indesejáveis dos acidentes de trânsito, que é outra das grandes desgraças do país.

Conforme relatório da Organização Mundial de Saúde(OMS)- mesmo considerando que os registros oficiais declaram raramente as causas das mortes de forma explícita, por uma questão cultural das famílias-, somente no ano de 2021 o suicídio tirou a vida de 727 mil pessoas ao redor do mundo, e no Brasil registram-se cerca de 14 a 15,5 mil casos por ano, o que representa uma média de 38 a 42 suicídios por dia, com maior incidência entre homens e jovens. 

As causas geradoras desse mal que se instalou e está aumentando de maneira grave e preocupante, são diversas. Mas, um forte detonador da ansiedade, da depressão e até de circunstâncias mais agudas que estão levando muitos ao suicídio, reside no uso desregrado, e assim maléficos, das redes sociais.

Na terceira coleta do Panorama da Saúde Mental, realizado em 2024 pelo Instituto Cactos, em parceria com a AtlasIntel, 45% dos jovens entrevistados revelaram que as redes sociais têm impacto negativo em suas vidas, e para outros 10% esse impacto é muito negativo. Isso soma 55% dos entrevistados declarando que as redes sociais fazem mal às suas mentes.

Ao considerar-se que a saúde mental é resultado de interação de diversos fatores que atuam sobre o biológico, o cognitivo, o social e o cultural, há de se compreender que as influências moldadas pelas redes sociais terminam sendo agravantes para o adoecimento.

Crescendo, a partir de ações do Ministério da Saúde, a consciência de que o adoecimento mental virou problema de saúde pública, tem havido um maior engajamento de agentes de saúde e órgãos estaduais e municipais nos trabalhos de prevenção. 

E essa prevenção precisa ser espalhada por todas as famílias, no sentido de adotar um estilo de vida equilibrado, focado nos cuidados diários, mantendo boa alimentação e um sono tranquilo e regulador, com olhar atento sobre o comportamento dos filhos, sobretudo nos seus silêncios e isolamentos. Isso inclui a prática de exercícios físicos e atividades esportivas, a prática da leitura, de atividades artísticas, artesanais, culturais. 

É preciso, então, adotar-se a compreensão de que é essencial cuidar de corpo e mente, que andam casados. 

Isso implica, por exemplo, no ambiente de trabalho estabelecer pausas, evitando sobrecarga; manter redes de apoio, com laços sociais fortes e conversas abertas com pessoas de confiança; reduzir a dependência as redes sociais e buscar um mínimo de qualidade e confiança nos seus conteúdos; consultar psicólogos e psiquiatras (que existem gratuitamente no sistema de Saúde (SUS); e ficarem, a família e a escola, atentos aos comportamentos de crianças e adolescentes, aumentando a resiliência e prontos a intervir a qualquer sinal mais agudo de anormalidade.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
Tópicos
Carregue mais
Veja Também