- Eleições de 5 de outubro geraram susto na classe política progressista devido ao avanço da extrema-direita e centro-direita.
- Partido Liberal (PL) conquistou 121 deputados, tornando-se a maior bancada da Câmara, preocupando lideranças legislativas.
- Líderes políticos reúnem-se em Brasília para discutir reforma eleitoral visando corrigir distorções e equilibrar forças partidárias.
- Voto distrital misto e distritão são alternativas discutidas para evitar que candidatos puxadores de votos elejam grandes bancadas.
- Exemplo de impacto dos puxadores: Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, com 6,1 milhões de votos, elegeram 17 deputados no PL.
O resultado das urnas de 5 de outubro causou um susto na classe política brasileira, especialmente no campo progressista, em razão da avalanche de votos que integrantes da extrema-direita, da direita e da chamada centro-direita conseguiram conquistar, gerando, proximamente, um provável desequilíbrio de forças dentro da Câmara e do Senado, a partir de 2027, o que pode significar um risco evidente à Democracia.
Nunca se sabe o que a extrema-direita e parlamentares da direita próximos do que esse segmento político pensa e deseja, poderá apresentar, na próxima legislatura, com capacidade de causar dano à necessária relação de civilidade e equiílbrio que se espera do Parlamento e que se deseja no regime democrático.
O fato é que partidos com sentimentos e práticas mais extremados, como o Partido Liberal(PL), no qual se abrigam Jair Bolsonaro, Flavio Bolsonaro e demais filhos e esposa do ex-presidente, conseguiram bancadas expressivas. Somente para a Câmara elegeram 121 deputados, tornando-se de loge a maior bancada.
Esse fato parece ter preocupado as lideranças atuais do legislativo, que já vinham há algum tempo de olho na necessidade de se fazer uma reforma eleitoral capaz de corrigir distorções e impedir que, até mesmo através da vontade popular, pelo voto, ocorram desequilíbrios nas relações entre partidos.
Por isso, certamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu lideranças partidárias nesta quarta-feira, em Brasília, para tentar chegar a um acordo que possibilite a reforma política, tendo como um dos objetivos básicos mudar o efeito do gatilho existente na atjual legislação que facilita a alguns candidatos puxar votos e com isso eleger grandes bancadas, muitas vezes favorecendo concorrentes nanicos, que nunca se elegeriam se não contassem com esse benefício dos puxadores. Essa última eleição mostrou bem como isso acontece de maneira notável.
O encontro, realizado nesta manhã na residência oficial da Câmara, é o terceiro em duas semanas. Entre as alternativas estão o voto distrital misto e o distritão. A intenção é votar uma proposta ainda em 2026, antes da posse dos novos parlamentares, em fevereiro de 2027.
As discussões que Hugo Motta motivou nesse encontro de hoje foram demonstrativas de casos práticos, comparando-se o aumento exponencial de bancadas, como do PL, com a queda brutal no número de eleitos, por partidos e coligações, como é o caso do União Brasil-PP, que reunia 105 cadeiras e viu isso baixar para 87, e o ex-todo poderoso MDB, que foi de 41 assentos para apenas 36.
Isso tudo, muito fortemente fica na conta dos puxadores de votos, citando-se os casos de Nikolas Ferreira(Pl-Minas Gerais) e Lucas Pavanato (PL São Paulo), que na soma dos seus mais de 6,1 milhões de votos, foram responsáveis pela eleição de 17 das 40 cadeiras, nos dois Estados, conquistadas pelo partido neste pleito.
A indicação de que o voto distrital, que se contrapõe ao modelo atual do sistema proporcional, ganha força, torna-se evidente.
O sistema atual permite a extensão do voto a todo o partido e não apenas ao candidato, o que resulta naquilo citado em relação aos dois deputados (de Minas e SP), muito conhecidos da população e usuários frequentes de redes sociais, sendo reconheciso pelo eleitor e levando seus votos a eleger pessoas que dificilmenteentrariam na Câmara.
No voto Distrital, resumidamente, os deputados (federais, estaduais e vereadores) seriam eleitos por um sistema similar ao da eleição majoritária (como se dá com presidente, prefeitos, governadores e senadores), sendo eleitos com maioria simples. Pelo Distrital, se seu voto vai para determinado candidato, o voto será direcionado a ele, e não mais ao partido ao qual pertence. No final, a eleição dele estará garantida, levando todos os votos que conquistou, mas esses votos não serão redistribuídos com o partido.
Pelo esquema distrital, os partidos designam um candidato para cada distrito pelo qual vai concorrer.
Na prática, a voto distrital acabaria com o chamado voto em legenda, até o momento existente na legislação brasileira.