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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Sobe e desce nos preços do petróleo mostra a quem a guerra interessa

Com cessar-fogo entre EUA e Irã, o barril de petróleo cai 13%, revelando a complexa geopolítica do Oriente Médio e seus impactos globais.

Preço do petróleo despenca 13% após cessar-fogo EUA-Irã | Reprodução

Os preços do barril de petróleo despencaram 13% neste dia 7 de abril, imediatamente após o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, estabelecendo uma trégua de duas semanas no conflito armado, de caráter violento, que os norte-americanos, alinhando-se a Israel, instalaram no Oriente Médio desde 28 de fevereiro último.

Contrariamente ao que hoje se registrou quanto à queda nos preços, o barril de petróleo subia de forma descontrolada, passando do dobro de seu valor antes do início dos conflitos, chegando a ultrapassar dos US$ 114 por barril na virada do último sábado para domingo.

Essa disparada de preço se deu imediatamente depois que Donald Trump anunciou, referindo-se ao Irã, que eliminaria uma civilização milenar em pouco tempo, dando o prazo fatal para a reabertura do Estreito de Ormuz para  terça-feira. Vê-se claramente que, além de vir escancarando um olhar sempre fixo na expansão territorial dos Estados Unidos e na obtenção de riquezas existentes em outros países, como terras raras e minerais críticos, o dirigente norte-americano, Donald Trump, aliás sustentando um interesse desmedido que seus antecessores sempre apresentaram, está permanentemente alimentado pelo anseio de domínio sobre o petróleo.

Trump não abre mão disso, e na sua política de administração local, tem levado à lata do lixo qualquer esforço empresarial pelas energias limpas, renováveis, até mesmo desprezando a fabricação e uso de carros elétricos. Ele não esconde que deseja a retomada de uma nação poderosa, dominadora sobre o mundo, e infinitamente exploradora dos recursos fósseis, estejam eles onde estiverem.

Ocorre que essa sua visão distorcida de mundo, de ignorância e menosprezo a um caminho novo, que é real, de construção de um novo padrão de desenvolvimento, mais sadio e com maior integração com a natureza, que respeite e preserve os ambientes naturais de que tanto a humanidade está carente, está trazendo inquietação e desespero a governantes e habitantes do planeta.

A guerra no Oriente Médio, atacando e dizimando o que existe de reservas fósseis e instalações destinadas à exploração e transporte de combustíveis, começa a empurrar o mundo para um aumento significativo de produtos que dependam de petróleo, gás e fertilizantes, tornando-os mais caros e de mais difícil acesso.

A instabilidade que se implanta no Oriente Médio já está afetando a logística alimentar, aumentando os custos de energia e fertilizantes, com graves prejuízos a produtores/importadores, impactando os preços em plano global. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) acaba de fazer um alerta. Se essa guerra persistir, a insegurança alimentar aguda pode atingir níveis nunca antes vistos, superando os 319 milhões de pessoas que hoje já estão submetidas a riscos.

Os dirigentes norte-americanos (de Trump aos seus comandantes militares) e o sanguinário Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel, não tiveram a capacidade de prever que ao atacar o Irã e matar o aitolá Ali Khamenei, e na sequência outros líderes militares do país, encontrariam severa reação, que se dá pela simples razão de que os iranianos estão belicamente preparados, detendo armas armas poderosas e forças militares bem treinadas, que os diferencia substancialmente do que Trump encontrou ao invadir a Venezuela.

E o Estreito de Ormuz, por onde passam todos os cargueiros que transportam petróleo, gás e fertilizantes para abastecer o mundo, está em poder absoluto do Irã e foi essa a senha para fazer os Estados Unidos, claramente, estarem perdendo esta batalha.

Chega-se ao ponto crucial, neste momento, em que tudo depende, exclusivamente, de o Irã abrir ou não Ormuz para a navegação.

Vê-se, de modo triste e deplorável, que o  petróleo tem sido o motor fundamental na geopolítica global e está frequentemente no centro de interesses de conflitos armados e tensões internacionais, atuando como um recurso estratégico que impulsiona economias, transportes e disputas de poder. Entre 1974 e 2013, estima-se que entre 25% e 50% das guerras tiveram algum tipo de ligação com interesses relacionados ao petróleo, uma proporção que pesquisadores indicam ter aumentado recentemente.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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