- Brasil reduz desmatamento e queimadas na Amazônia com políticas de crédito rural baseadas em dados de satélite.
- Estudo mostra que exigências ambientais para acesso ao crédito rural estão contribuindo para preservação da floresta.
- Resolução 5.3003, de 2026, permite negar crédito com base em imagens de satélite, evitando desmatamento em novas áreas.
- Monitoramento do gado bovino e uso de tecnologia estão ajudando a combater desmatamento indireto e promover produtividade.
- Crédito rural, quando vinculado a critérios ambientais, tem demonstrado eficácia em reduzir desmatamento sem prejudicar a agricultura.
O Brasil tem apresentado uma queda expressiva no desmatamento ambiental em todo o país, com especial destaque para a Amazônia, região que demanda atividades agropecuárias importantes e também se constitui área relevante para o mundo no campo da mineração, de madeira e de plantas essenciais às ciências da saúde.
O que chama bastante atenção é que a diminuição no volme de derrubada de florestas e, também, em muitos locais, de redução de queimadas, não tem ocorrido em função de medidas apenas restritivas ao uso das terras da região, mas de decisões e práticas de controle, cientificamente estudadas, que chegam aos investidores junto com os créditos rurais que o Governo Federal tem disponibilizado desde 2023.
Um estudo que acaba de ser divulgado pela Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade, em articulação com pesquisdadores da USP, Insper, Fundação Getúlio Vargas e PUC-Rio, embora saliente que o crédito rural, principal financiamento agropecuário, não seja em si indutor de desmatamento e nem, por outro lado, solução para a conservação da Amazônia, tem provado que a ampliação e uso de exigências ambientais para acesso ao crédito rural, que o Governo Federal vem adotando, tem sido uma estratégica que já demonstra resultados muito positivos.
O estudo mostra que o desenho de políticas de crédito rural ocorrendo de acordo com as características de cada território- como agora está acontecendo-, em vez de seguir uma bordagem uniforme para todo o território nacional, tem permitido efeito benéficos à agropecuária, com maior preservação do ambiente natural. Vê-se que as chamadas "travas ambientais" inauguradas pela Resolução 3.545, de 2008, que proibiam a concessão de crédito apenas para áreas atingidas por desmatamento ilegais, estão agora sendo adequadas de modo mais eficiente à nova realidade rural do país. A medida anterior barrou R$ 2,9 bilhões de emprestimos entre 2008 e 2011, e reduziu o desmate em 15%.
Agora, pela Resolução 5.3003, de maio de 2026, a legislação prevê que o crédito com rescursos públicos e subsidiados seja negado na base de identificação, o que está sendo feito por imagens de satélite, evitando, por exemplo, a migração de gado de uma área desmatada para uma área que não tenha sido atingida pela restrição de crédito. As imagens não deixam mentir.
Uma das etapas do monitoramento é o rastreamento do gado bovino, que está ajudando muito para desfazer uma realidade indesejada .
Como os frigoríficos monitoram apenas fornecedores diretos, animais de fazendas que são alvo de embargo de crédito podem ser "esquentados" em propriedades intermediárias antes do abate, fazendo com que o crédito a fornecedores regulares acabe, indiretamente,estimulando o desmatamento em regiões mais distantes.
Graças a isso, embora também o volume de concessão de crédito rural venha crescendo desde o início do Governo Lula, os desmatamentos seguem caindo, porque na concessão do crédito o produtor tem de ajustar suas atividades às novas exigências.
A tecnologia a serviço da concessão de crédito está tendo enorme utilidade.
O trabalho divulgado pela Rede PP&S cruzou informações sobre operações de crédito rural com dados de uso e cobertura da terra obtidos por satélite em 452 municípios da Amazônia, entre 2006 e 2017, , que tem áreas consoilidadas com atividade estabelecida há mais tempo, onde a governança fundiária é mais presente e a terra disponível mais limitada, e concluiu que o crédito tende a impulsionar ganhos de produtividade sem o aumento do desmate.
Esse monitoramento, com uso de satélite, cujas imagens garantem uma tomada de posição séria e saudável na hora da concessão do crédito rural, está trazendo mais equilíbrio e determinando,conforme o estudo demonstra, que os produtores da agricultura e da pecuária alcancem melhores resultados nos seus negócios, com o conforto ético de não contribuir para a devastação da natureza.