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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Resultado das urnas mostra que ao Brasil se impõe uma reforma partidária urgente

Análise do resultado das eleições 2026 revela crise no sistema partidário brasileiro e a urgência de uma reforma política

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  • Resultado do 1º Turno das eleições de 2026 revela declínio do MDB e ascensão da direita e extrema direita no Brasil.
  • O MDB, que foi um dos principais partidos da redemocratização, perdeu vagas no Senado e eleger apenas um governador.
  • A proliferação de partidos sem doutrina e regras está prejudicando a atuação do Congresso Nacional e a democracia brasileira.
  • Partidos como o PL ganharam força com 14 novas vagas, enquanto o PT perdeu espaço e enfrenta desafios crescentes.
  • É urgente uma reforma partidária para reestabelecer a democracia e a representatividade no Brasil.
Resultado das urnas mostra necessidade de reforma partidária no Brasil | Reprodução
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O resultado das urnas nesse 1º Turno das eleições gerais de 2026, aponta para algumas análises que precisam ser feitas com clareza e levadas a sério com bastante responsabildiade, no que diz respeito aos quadros partidários e à realidade política no Brasil. 

Olhando apenas para o fato de o MDB (Movimento Democrático Brasileiro)- que foi a mais importante agremiação partidária na construção do processo de redemocratização do país a partir de 1985 e se transformou ao longo do tempo num dos dois principais vitoriosos em eleições-, ter saído deste pleito elegendo apenas um governador de Estado (Daniel Vilela-Goiás) e ver sua bancada no Senado reduzir de 9 para apenas 8 vagas, é um claro indicativo do esfacelamento do atual modelo partidário em voga no Brasil.

Desde 2014, por articulação do ex-presidente da Câmara, deputado cassado e condenado Eduardo Cunha, o MDB abraçou-se ao Centrão, chegando à derrocada de agora. 

Com a direita e a extrema direita conquistando espaços inimagináveis nestas eleições, fazendo o PL (Partido Liberal), seu principal braço, ganhar 14 novas vagas de senador, subindo sua bancada de 15 para 29 integrantes, eleger cinco governadores (contra 3 do PT), ficando na Câmara Federal com 121 cadeiras  de deputado, contra 88 da bancada do PT, tem-se a nítida compreensão de que o Brasil volta a caminhar na direção de um sistema Bipartidário.

O Bipartidarismo, instituído pelo Ato Institucional nº 2, em 1965, imposto pelo  regime militar brasileiro (1964–1985),  extinguiu todos os partidos anteriores e permitindo apenas dois, um de apoio (Arena)  e outro de oposição (MDB), que na verdade não eram partidos políticos nos padrões exigidos pelas Democracias, mas disfarces para aparentar ao mundo a ideia de que Brasil vivia  um quadro de normalidade. Não foi bom para o Brasil.

Do mesmo modo- embora com aspectos e consequências diferentes-, não é nada boa a proliferação de partidos políticos no país, hoje contando 30 agremiações devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025, majoriamente participando com algumas das candidaturas que aí foram postas neste último pleito. 

Este pluripartidarismo vasto brasileiro, despido de doutrina, de regras decentes de funcionamento e de propostas para os país, suas instituições e seu povo,  tem feito muito mal na sua atuação no Congresso Nacional, sobretudo, pois muitos desses partidos são agremiações que têm "donos", controladores.

Em muitos casos, seus dirigentes partidários são meros  representantes de "negócios", como se viu recentemente em denúncias públicas, que apontaram notáveis dirigentes partidários, como Valdemar Costa Neto, do PL, exercendo controle e manejo sobre Emendas Parlamentares, dentro do Congresso, em relaçãoes com municípios espalhados pelo país,  em valores expressivos, sem que detivesse mandato de deputado ou senador. 

É triste e desanimador constatar-se que o Brasil está numa rota errada nesta questão da organização partidária. Desde 2013, com a onda de anarquismo que se instalou no país, estimulada por setores da gande mídia e financiada por segmentos do conservadorismo extremo da economia, surgiu um movimento forte contra os partidos políticos, com o fim de descredibilizá-los e enfranquece-los, para disso instalar-se um modelo de poder sem as regras que permitem as Democracias.

Isso resultou no enfranquecimento de organizações partidárias históricas e edificantes,a exemplo do PSDB e do próprio MDB. O PT sobreviveu a essa onda, graças especialmente à presença e comando de uma liderança firme e experiente,a de Luiz Inácio Lula da Silva, mas viu prosperar, a partir de 2018, um avanço da direita, que se fortaleceu a partir do Governo Bolsonaro, e segue crescendo como agora esse primeiro turno demonstra.

Foi nessa onda de polarização entre direita/extrema direita X Progresssistas (Esquerda), que proliferaram os partidos políticos sem doutrina e princípios, algumas deles trazendo apenas lama apra o processo eleitoral e para a Democracia.

É urgente que dirigentes nacionais de todos os campos entendam que os partidos políticos são pilares essenciais da democracia representativas, e que sua função é organizar ideias, representar os interesses da coletividade, firmar-se no embate pela redução  das desigualdades sociais e econômicas, formar novas lideranças políticas e oferecer ao eleitor opções decentes de voto.

Quando olhamos para o placar desta eleição e vemos alguns desses que agora estão sendo eleitos e qual as tendências que muitos eleitores estão seguindo, a verdade é que isso faz desanimar, na compreensão  real de que neste campo democrático estamos perdidos. 

O Brasil precisa, urgentemente, de uma ampla e vigorosa reforma partidária e política que dê dignidade à vida pública e sirva aos interesses dos cidadãos e cidadãs.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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