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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Para travar China e EUA, europeus chegam ao Brasil interessados em terras raras

O país é detentor expressivo de reservas desses minerais cobiçados pelas modernas tecnologias industriais

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  • O Governo do Brasil busca parcerias para processamento e refino de minerais críticos.
  • Reservas brasileiras de terras raras são consideradas as segundas maiores do mundo.
  • Comissário europeu visitará unidades de exploração mineral em junho para avaliar projetos.
  • Europa busca parcerias "confiáveis" e "seguras" com o Brasil, oferecendo tecnologia e investimento produtivo.
Terras raras | Reprodução

O Governo do Brasil tem demonstrado claro interesse em firmar com outros países parcerias que induzam à criação de uma cadeia industrial voltada ao processamento e refino de minerais críticos e terras raras, em vez de continuar exportando matéria-prima bruta para o mundo, como tem feito até agora.

O país é detentor expressivo de reservas desses minerais cobiçados pelas modernas tecnologias industriais, e  o Governo  compreende que o Brasil só conquistará vantagens significativas nesse setor,  no momento em que tiver capacidade de fazer o refino químico dos minerais, o que consiste na separação de óxidos, para a fabricação de imãs permanentes de alta potência e a produção de componentes de baterias energéticas, hoje os elementos cada vez mais requisitados na indústria moderna.

As reservas brasileiras, consideradas as segundas maiores do mundo, têm forte presença de Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio, elementos fundamentais para a montagem de imãs superpotentes usados em turbinas eólicas, computadores e motores de veículos elétricos. O Brasil extrai minerais como monazita e argilas iônicas, mas o refino, que garantiria valor agregado ao país, é totalemnte dominado pela China.

Como reação a essa presença chinesa e às ameaças que o Presidente norte-americano Donald Trump tem feito ao Brasil, ainda durante este mês de junho é aguardada a visita de um comissariado europeu que vem ao país avaliar projetos minerais críticos, para travar de algum modo a possibildiade de que os minérios brasileiros fiquem nas mãos dos Estados Unidos, como seu dirigente tem demonstrado grande interesse.

O que os  europeus querem é entrar na disputa que China e EUA já travam pelos minérios brasileiros, pretendendo assim intensificar negociações para parcerias em território brasileiro que assegurem acordo com o governo federal e permita facilitar estratégicas europeias no caminho de suprimento tecnológico industrial. 

E assim assegurar  o  suprimento para tecnologias de defesa, escapando deste modo do controle chinês e do apetite de Donald Trump em querer dominar a América do Sul.

Embora o território brasileiro não tenha sido até hoje totalmente mapeado, de modo a saber-se exatamente qual a capacidade de reserva de terras raras e minerais críticos, os dados  já comprovados mostram que o Brasil detém cerca de 25% de todas as reservas mundiais, com cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras.

É essa realidade que a União Européia quer conhecer de perto, vivamente interessada em parceria. Entre 18 de 24 deste mês chega ao país o comissário de Parcerias Internacionais, Josef Síkela, responsável por assegurar o que os europeus chamam de "cadeia de suprimentos segura e sustentável",  de matéria-prima crítica. Ele visitará unidades de exploração mineral em Minas Gerais, além de  São Paulo, Rio  de Janeiro e Brasília, acompanhado de investidores europeus interessados nesse negócio.

Em contraponto às cobiças manifestadas por Donald Trump, os europeus querem oferecer ao Brasil parcerias "confiáveis" e "seguras", instaurando uma relação de confiança diante da instabildiade global disparada pelas disputas sempre reveladas pelo governante norte-americano e também em razão dos conflitos armados que ele tem estimulado em várias partes do mundo, além de explícita demonstração de interferência em questões eclusivas de vários outros países, sobretudo na América do Sul. 

Ao contrário da vocação pelo domínio, expressa por Trump, os europeus falam claramente em oferecer ao Brasil tecnologia, formação e investimento produtivo, seguindo obediência a parâmetros climáticos e sociais. Daí virem estimulando grupos de trabalho montados junto a governos de Brasil, Argentina e Bolívia na selação de projetos prioriários, de interesse nacional, e que possam receber seus aportes. 

O objetivo é criar, num ambiente de parceria legítima e saudável, as condições de conexão industrial que resultem em benefícios recíprocos.

Vê-se, portanto, que as potencialidades que o Brasil ostenta deixam o país no centro do interesse mundial, o que apenas reforça o dever de preservar a nossa soberania e, com ela e por ela, buscar parcerias legítimas que acelerem o desenvolvimento econômico e social.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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