Na próxima semana, dias 28 e 29, os integrantes do Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central, voltam a se reunir em mais uma das sessões que ocorem a cada 45 dias. E todas as esperanças do mercado produtivo e das famílias consumidoras voltam-se para a perspectiva de que as taxas de juros Selic sofram outra queda- desta vez de modo mais expressivo-, como forma de socorro nessa hora difícil em que o consumo está caindo e o endividamento das pessoas chega a níveis mais elevados da história.
O Brasil vive um momento paradoxal, com uma inflação plenamente contida, dólar seguidamente em baixa, bolsa de valores nos mais elevados patamares de toda a história, presença robusta de investimentos externos na economia, setores da indústria revitalizados, mas, ao mesmo tempo o endividamento das famílias alcançando índíces nunca vistos, resultado da ida ao crédito com juros bancários nas alturas, trazendo na esteira a inadimplência e o endividamento.
Esse é um sufoco que está mexendo com as estruturas do Planalto, que vê como inaceitável esse endividamento, em razão das consequências que traz às famílias e pela influência que despeja no consumo, enfim afetando as atividades produtivas e comprometendo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
O que está acontecendo agora, já foi visto, ambora de maneira oposta, há cerca de 30 anos, quando, pelos idos de 1990, o Brasil passava por uma inflação desenfreada,com o índice mensal de elevação de preços ultrapassando os 80%, corroendo o poder de compras dos salários. Era o império da Inflação, que só pode ser derrotada com o advento do Plano Real.
Esse drama volta a ser visto agora, com o endividamento das famílias atingindo níveis máximos, em função de vários problemas, todos eles detectáveis, mas tendo as taxas escandalosas aplicadas pelo Banco Central como o motor que detona quase todos os demais inconvenientes.
Não há como devolver o consumo, a plena atividade dos setores de produção e a normalidade financeira a mais de 80% dos brasileiros endividados, se não prevalecer o bom senso e o Comitê de Política Monetária não adotar a atitude de baixar as taxas Selic a níveis razoáveis, civilizados, tirando do Brasil essa nefasta primazia de estar entre os três primeiros lugares no mundo quando se trata de juros altos.
Os levantamentos têm mostrado que 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, atingindo seu mais elevado patamar histórico, coforme dados relativos ao mês de março. E a causa é claríssima: a Selic na estratosfera (que faz os juros reais, depois de descontada a inflação, chegarem a mais de 10% ao mês), repassada para os juros bancários, põem nos andares superiores as taxas cobradas sobre cartão de crédito, cheque especial e consignados, punindo o tomador de credito e tornando-o inadimplente.
A Selic é a forma mais drástica de potencialização de desequilíbrios econômicos e do advento dessa inadimplência chocante. Em janeiro de 2026, a taxa média de juros cobrada dos consumidores que acessaram crédito, atingiu 32,8% ao ano, o maior patamar dos últimos nove anos. E nos cartões de crétido esse volume chega a mais de 170% ao ano.
E isso virou uma bola de neve, pois se de um lado o próprio governo estimula o consumo, por querer as atividades produtivas em evolução, por outro lado joga as famílias na boca do lobo, aí sendo tragadas pelas taxas exorbitantes aplicadas pelos bancos, tudo respaldado pelo Banco Central que mantém a Selic no mais alto grau. E desse modo, satisfaz a ganância dos especuladores finaneiros, aqueles que estão instalados no conforto da Faria Lima e outros endereços espalhados pelo país.