- Lula participa de reunião do G7 em Évian, França.
- Presidente brasileiro critica neoliberalismo e desigualdade econômica.
- Lula denuncia protecionismo e unilateralismo como respostas falaciosas para problemas globais.
- Ele destaca a necessidade de cooperação internacional para alcançar Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Ao participar, nessa terça-feira, de mais uma reunião do G7, o grupo que reúne as sete nações mais industrializadas e democráticas do mundo, o presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, revelou, em seu discurso, uma clara frustração por não terem os líderes mundiais, ao longo de décadas, construído respostas coletivas e duradouras para as crises e desafios que em todos esses encontros foram constatados e que afetam milhões de pessoas ao redor do planeta.
Embora o Brasil não integre formalmente o G7 ( constituído que é por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), esta é a 10ª reunião com a presença de Lula, sempre presente como convidado especial, assim como também acontece com a União Europeia.
Essa presença constante do presidente brasileiro é um notável sinal de apreço e respeito que o mundo desenvolvido nutre pelo país e por seu dirigente. Desde 2003 Lula é convidado e comparece, sempre firmando posição corajosa, centrada no multilateralismo e na cooperação entre as nações.
Em sua fala, Lula lamentou que todos tenham ficado aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos.
E foi mais adiante, ao dizer que o neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias.
E denunciou: "Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas".
Para ele, a distância que separa a prosperidade de Évian ( cidade francesa em que ocorrreu a reunião do G7), da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.
Ao contrário, para ele, nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado, a ponto de o primeiro trilionário do mundo ser mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.
Falando para uma plateia atenta, formada pelos presidentes das 7 nações, incluindo o dirigente norte-americano Donald Trump, além de lideranças empresariais e organizações da sociedade civil desses países, Lula foi direto ao ponto e apontou a extrema concentração de renda como decorrência de décadas de políticas pró-bilionários.
Ao condenar essa comcentração de riqueza, que anda na contramão do bem da humanidade e que se afasta do cumprimento da AGENDA 2030, que essas próprias lideranças firmaram no passado recente, Lula disse que faltam 4 trilhões de dólares por ano para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam alcançados, mas parece que aumenta a distância entre os compromissos assumidos e os recursos efetivamente disponibilizados para torná-los possíveis.
Ele pareceu triste ao dizer que os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. Pior do que isso, até piora, pois conforme afirmou em sua fala, no ano passado registrou-se uma queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% do seu financiamento.
E enquanto valores bilhões e bilhões de dólares são jogados fora por alguns desses países em guerras, armas e munições, para promover a morte de milhares de pessoas, quase todas inocentes, a Organização Mundial de Saúde e a UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Lula ressaltou que essa abominável realidade impacta diretamente o cotidiano dos habitantes dos países em desenvolvimento, deixando milhões de pessoas sem acesso a alimentação adequada, crianças sem frequentar a escola, mulheres privadas de proteção, e comunidades vulneráveis diante de doenças evitáveis e de tragédias naturais também evitáveis.
O presidente brasileiro, diante de um Donald Trump que via e ouvia tudo da plateia- e que tem muito a responder sobre esses descaminhos-, lembrou que guerras e conflitos, que continuam desviando os focos e as ações de se atingir os Objetivos do Milênio, consomem a cada ano quase 3 trihões de dólares, quase a totalidade do que seriam necessários anualmente para a conquista da Sustentabilidade do Planeta.