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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Movimentos que deram vitória a Lula devem servir de controle social sobre governo e Parlamento

Mobilização popular após a vitória de Lula é apontada como caminho para ampliar o diálogo com o governo e fiscalizar o Executivo e o Congresso Nacional

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  • Lula vence eleição presidencial do Brasil com quarta vitória, marcando avanço contra a extrema-direita global.
  • Reeleição de Lula reforça resistência à retomada do nazi-fascismo e à expansão de regimes autoritários na América Latina.
  • Representantes de diversos países celebram vitória de Lula, demonstrando preocupação com ameaças à democracia global.
  • Segundo turno revela forte mobilização popular, revertendo abstencionismo e ampliando vantagem de Lula sobre Bolsonaro.
  • Para novo mandato, Lula precisa manter engajamento popular e buscar ideias de diferentes setores para governar de forma democrática.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em 24 de outubro de 2026 | Foto: Danilo Verpa/Folhapress
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A quarta vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência do Brasil, registrada neste domingo, é um marco extraordinário para as Democracias em todo o mundo, num momento importante e delicado em que ocorre notável avanço da extrema-direita política em todos os continentes e em que que começam a ser verificadas provas da retomada do nazi-facismo em alguns países.

Pelo tamanho e peso do Brasil no mundo, pela força de sua oitava economia planetária, dos seus mais de 215 milhões de habitantes e de seus 158 milhões de eleitores, o que aconteceu neste 25 de outubro tem o poder de dizer ao mundo que a caminhada da extrema direita sofre um duro ataque e uma necessária e irreparável interrupção.

Depois do que acaba de acontecer com a reeleição de Lula- e no contraponto a derrota de lideranças antidemocráticas, responsáveis pela prática de atentados contra a Democracia e pela busca de um golpe de Estado que os perpetuasse no poder, que é a conclusão do que Flávio Bolsonaro conquistou- fica lógica a constatação de que fica agora muito mais difícil avançar-se sobre a América Latina no intuito de transformá-la em quintal de regimes autoritários e dominadores.

As manifestações de dirigentes de várias nações do mundo que chegam ao Brasil para cumprimentar Lula por sua reeleição deste domingo, são sinais evidentes de que a humanidade anda preocupada com o que pode acontecer a suas Democracias.

 Por isso, mesmo diante do silêncio reinante até este momento por porte de Donald Trump, dos Estados Unidos, e de Javier Milei, da Argentina, surgem manifestações de diferentes espectros políticos e regionais do mundo, a exemplo dos dirigentes do Chile, Paraguai, Bolívia, México, Uruguai, Panamá, Peru, Equador, França, Espanha, Canadá, Conselho Europeu, União Europeia.

Todos celebram o resultado e demonstram confiança de que os tentáculos do extremismo de direita começam a ser aparados.

O que autoridades estrangeiras demonstram, é o mesmo que os eleitores brasileiros perceberam a partir do fechamento das urnas no Primeiro Turno das eleições presidenciais, quando registrou uma vantagem do candidato do bolsonarismo e da extrema direita, Flávio Bolsonaro.

Esses movimentos  passaram a ter uma leitura de compreensão acerca dos perigos que uma vitória desse campo político seria uma ameaça real a uma sociedade plural e democrática, elevando o grau de dificuldade para conquistas sociais e colocando a nação inteira sob um ambiente de intranquilidade e insegurança, até mesmo pelas possibilidades de interferência de governos estrangeiros no cotidiano dos brasileiros.

O levante que os brasileiros foram capazes de produzir na campanha eleitoral deste Segundo Turno,  mudando literalmente a visão dos movimentos desenvolvidos na primeira etapa da eleição, foi algo de uma significação elevada, que fez tomar as ruas, os espaços educacionais, os segmentos profissionais e trabalhistas, entrando nas casas das pessoas e fazendo-as, de forma consciente, a convencer-se de que e eleição de Luiz Inácio Lula da Silva seria a única opção razoável para seguirmos construindo a Nação.

Os números que esse Segundo Turno apresenta são inéditos e profundos. O contingente de ausentes nas eleições em 1º turno, os que por alguma razão abstiveram-se de comparecimento, foi revertido de modo significativo nessa segunda chamada e o Presidente Lula viu essa maior presença de eleitores oferecer-se em sua direção, o que, somando-se às conquistas novas que estabeleceu junto aos mais idosos, às mulheres e aos mais jovens, permitiram que ele colocasse mais de 4 milhões de votos de vantagem sobre seu concorrente.

Importante, a partir da posse para o quarto mandato, que acontece em janeiro, é manter esse espírito de presença e de força popular aceso, por algumas razões fundamentais. Primeiro, porque Lula, nesse novo mandato, precisa dialogar mais e dialogar de modo diferente com a sociedade, não apenas na necessidade de ouvir suas queixas, lamentos e anseios, mas para recolher de cada um ideias novas que possam formar um modelo de gestão eficiente e democrático; segundo, porque ter o Palácio de Planalto como laboratório de grandes ideias, parecer ser algo burocrático e anacrônico, porque nos parece que o saber encontra-se espalhado nas universidades, nos ambientes de pesquisa, no interior das empresas, dos grandes ou pequenos negócios, e que isso deve ser buscado como forma de governar.

Por último, mas igualmente importante, porque é preciso manter esses movimentos populares ativos, vigilantes, para que atuem como meio de controle social sobre o próprio Governo, e especialmente sobre os integrantes do Congresso Nacional que, formado por grande massa de direita e extrema direita como ficou provado no 1º turno, e que precisa ter seus passos contidos para evitar que tome medidas contrárias ao interesse público, coletivo, tornando-o impedido de facilitar a aprovação de medidas que atentem contra a Democracia.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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