- Relatório do Instituto Sou da Paz alerta sobre a difusão de armas pesadas em todo o Brasil, especialmente em 25 dos 27 estados.
- Aumento de 229% na apreensão de fuzis no Maranhão em 2025, indicando crescimento da criminalidade com armas de guerra.
- Flexibilização das regras de armas por Bolsonaro facilitou a entrada de milhares de armas no país, incluindo modelos militares.
- Criminosos montam fábricas clandestinas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, produzindo fuzis AR-15 para facções.
- Operações da Polícia Federal desbarataram fábricas de armas clandestinas, recolhendo componentes para 40 fuzis AR-15.
Um relatório do Instituto Sou da Paz, que analisa as mais recentes operações realizadas pelas Forças de Segurança contra o crime organizado, com olhar específico sobre a apreensão de armas pesadas nas mãos de criminosos, nos mais variados Estados da Federação, é um alerta gravíssimo sobre duas realidades que estão postas.
Primeiramente, pelo caráter de robustez e pela imposição de velocidade com que as facções criminosas têm crescido, aumentando de tamanho e poder, e se diversificando, trazendo com esse perfil maior capacidade de armar-se, de municiar-se para as prátivas criminosas, sempre mais vionetas e danosas, descentranlizando-se dos grandes conglomerados urbanos.
O segundo aspecto-, que vem junto ao acesso absurdo que o crime organizado obteve sobre armas de gerra, pesadas, como os modelos de fuzis da plataforma AR-15 e suas variantes militares (até o ano de 2020 privativas das Forças Oficiais de Segurança)-, é a proliferação desses armamentos pela quase totalidade dos Estados brasileiros, chegando a lugares nunca antes imaginados.
Temos aí, conforme o Sou da Paz, uma difusão espantosa do laboratório do crime que foi montado originalmente no Estado do Rio de Janeiro (onde tudo começou, e ganhou força graças às conexões com sistemas governamentais locais), uma situação que vem sendo demonstrada pelas operações policiais, pela presença crescente dessas armas de guerra nas mãos de criminosos fora da antiga capital carioca, sobretudo em grandes e médias cidades do Nordeste.
Os lavantamentos apontam que em 2022 já se verificava uma tendência pavorosa dessa onda que vem sendo chamada de "carioquização" do crime, consubstanciada na expansão do uso de fuzis para a prática de ações do crime organizado, como assaltos a bancos e carros-fortes, cargas rodoviárias, exoplosões e mortes, em pelo menos 25 dos 27 Estados brasileiros.
E há dados que causam espanto e medo. Em Estados onde não se tinha notícia dessa presença criminosa, como o Maranhão, por exemplo, só em 2025, o aumento na apreensão de fuzis pelas forças de segurança, foi de 229%, 162% no Tocantins e 111% em São Paulo, ainda que seja nesse Estado onde a Policia Federal tem realizado o mais duro combate.
No território paulista, além de centenas de fuzis, também tem crescido a apreensão de pistolas automáticas, que passaram de 2.891 para 6.112, representando 43% de todas as armas apreendidas.
Pelos registros do Instituto, as apreensões de armas, entre 2019 e 2023, deram um salto significativo, demonstrando o novo propósito própósito das forças de segurança a partir da chegada do presidente Lula ao poder, saltando de 1.139, em 2019, para 1.650 em 2023, a mais alta apreensão de fuzis da série histórica. Só no Rio de Janeiro, em 2023, foram recolhidos 797 armas do tipo, especialmente nas operações da Polícia Federal.
A base extrordinária dessa febre aos fuzis e à massificação dessas armas por todos os Estados, tem origem na maldita flexibilização das regras à aquisição de armas e municições levada a efeito pelo então presidente Jair Bolsonaro, reduzindo preços, aumentando a oferta, abrindo fronteiras de importação, sobretudo de armas vindas dos Estados Unidos, e lançando no país o que talvez tenha sido uma das principais ações de sua gestão, que consistiu em permitir a ebertura de milhares de CACs (clube de tiro) em todas as partes do país, fazendo com que armas (muitas delas até então restritas às Forças Armadas), chegasse ao seu poder de maneira fácil.
Relatórios anteriroes do próprio Instituto Sou da Paz indicam que cerca de 6 mil armas registradas por CACs foram notificadas ao Exército por roubo, furto ou extravio, entre 2019 e 2023, grande parte desse armamento conseguindo ser recuperada pelas diversas operações policiais nas mãos de integrantes de facções criminosas.
Como fizeram ( e fazem) no Rio de Janeiro, as facções criminosas usam fuzis para controlar territórios, enfrentar polícia, destruir obstáculos difíceis e vencer rivais. O fuzil é uma arma de guerra forte, que atira longe( atingindo alvos a até 500 metros de distância) e perfura carros da polícia e até blindados. Com essas armas, os líders de facções emponderam grupos locais a manter o monopólio de vendas de drogas, criando base de defesa dos pontos de tráfico contra ataques de facções rivais.
Armas de enorme poder letal, como os Fuzis AR-15 usados pelas facções criminosas, agora espalhando-se pelo país, são fabricadas fora do Brasil, e são trazidas geralmente dos EUA e de países europeus, passando pelas exigências alfandegárias brasileiras, ou entrando clandestinamente através de portos e aeroportos. Ou ainda, contrabandeadas aqui ao lado, de países como o Paraguai.
Mas a necessidade dos líderes de facções do crime organizada é de tal porte relevante, que eles decidiram montar fábricas clandestinas de armas. Na prática, esses locais (quase todos em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro), servem como verdadeiras montadoras. Os criminosos compra e trazem as diversas peças das armas, separadamente, pois isso despertaria menor atenção das autoridades, e aqui fazem a montagem completa dos fuzis, colocando-os imediatamente no mercado do crime.
Quase todas essas armas são encomendas pelas principais facções PCC e CV, e depois distribuídas com seus parceiros. Em 2025, por exemplo, a Polícia Federal desbaratou uma dessas fábricas clandestinas de produção do fuzil AR-15, na rgião de Campinas, em São Paulo, entre os municípios de Americana e Santa Bárbara d´Oeste. Ali foram recolhidos, na hora, peças e componentes que serviriam para a montagem de 40 fuzis AR-15. Essas "fábricas" são equipadas com maquinário de alta precisão capaz de produzir armas em série.