- COPOM reduz Selic em 0,25%, mas ações tardias comprometem crescimento do Brasil.
- Brasil mantém segundo maior juro real do mundo, atrás apenas da Rússia.
- Setor industrial brasileiro enfrenta dificuldade de crédito e retração na produção.
- Redução de juros pode impactar empregos, empresas e aumentar custos para consumidores.
- Alta dos juros prejudica competitividade do Brasil no cenário internacional.
Os números estão aí para comprovar que a decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM) de reduzir de forma residual as altíssimas taxas de juros Selic, como fez em sua reunião de ontem, ao retirar mais 0,25% desse patamar, está chegando muito tardiamente ao Brasil, comprometendo de modo significativo o crescimento do país.
A influência nesfasta das taxas Selic, fazem o Brasil possuir - mesmo com a queda de ontem-, as segundos mais elevados juros reais do mundo (depois de descontada a inflação), ficando atrás apenas da Rússia, que ostenta 9,67% de juros líquidos, conforme levantamento global. O Copom, após esse último encontro, deixou o país com 14% anuais, que descontada a inflação fica em 9,33%.
Desde o ano de 2025 o setor industrial brasileiro - que ensaiara um notável nível de revitalização a partir de 2023-, vinha se ressentindo do enorme desconforto que as elevadas taxas de juros aplicadas pelo mercado e amparada pelas decisões do Banco Central, vinham gerando nas atividades industriais, que passou a enfrentar grande dificuldade de crédito e taxas muito acima de suas expectativas e da própria realidade econômica.
Essas manifestações foram expressas de maneira insistente pelos órgãos de representatividade da categoria e reiteradas pelo Palácio do Planalto- tolhido na sua ausência de poder sobre o Banco Central- , que desde o governo passado ganhou status de autonomia plena, sem acatar as reivindicações governamentais sobre redução das taxas de juros.
Nada dessa inquietação dos setores industriais, de analistas econômicos que enxergam um palmo além dos rentistas do mercado, e do próprio governo federal, teve o efeito merecido e pleiteado pela indústria. Agora a conta começa a chegar, num preço muito elevado e injusto para o país como um todo e muito acentuadamente para os produtores e consumidores.
Em junho, a produção industrial registrou um baque de 1,8%, acumulando o segundo mês consecutivo de retração e refletindo o impacto do crédito extremamente elevado, caro, sobre os investimentos e, na ponta final, sobre o consumo.
Resumo disso é que, por um aprisionamento do Copom aos caprichos e capacidade de mando de seletivos grupos que vivem da especulação financeira - os renomados donatórios do capital instalados na Faria Lima, que ganham cada vez mais o quanto estiverem elevados os juros-, o país inteiro pode começar a pagar uma conta muito elevada, fazendo os preços pesarem de modo incontrolável no bolso de cada consumidor.
Além do mais, uma desaceleração acentuada da atividade industrial deve desembocar na redução de atividades, na demissão de empregados ( o que tiraria o país da condição confortável de ter hoje as menores taxas de desemprego da história), na quebradeira e falência de empresas, como em alguns setores já começa a ser notado.
Dentre esses segmentos mais afetados no momento, encontram-se os produtos químicos, refino de petróleo e gás e bens duráveis, que estão liderando as perdas. E tudo, por reflexo e consequência, cai no bolso do sunsumidor final.
Os juros consagrados pelo Copom e aplicados a bel prazer pelo sistema financeiro, elevando o preço do crédito, compromete o financiamento de máquinas e equipamentos que permitiriam a renovação do parque industrial, fazendo o Brasil, assim, menos competitivo no cenário internacional.
Do modo como está, o resultado nefasto que está por vir será a redução no crescimento do PIB, a desativação de setores produtivos importantes, a geração de desemprgo e comprometimento da renda do trabalhador, e a diminuição de competividade do Brasil perante o mundo, num momento crucial em que é fundamental alargar as fronteiras comerciais, de modo a diminuir retaliações vergonhosas contra o país, que têm sido tomadas a cada hora pelo destempero de governantes estrangeiros, como Donald Trump, por exemplo, tem feito.