- Banco Central reúne COPOM para decidir sobre redução da taxa Selic.
- Presidente Lula e setores produtivos pressionam pela queda dos juros.
- Artigo de André Lara Resende acusa altas taxas de juros de causar desequilíbrio fiscal.
- Reações contrárias à proposta surgem imediatamente na mídia e entre especuladores.
- Resende defende que altas taxas Selic são responsáveis pela elevada dívida pública.
O Comitê de Polítca Monetária (COPOM) do Banco Central, está reunido desde a manhã dessa terça-feira , e no começo da noite desta quarta deve anunciar as decisões do colegiado, o que resumindo para o interesse público, decidiu para reduzir ou não as altíssimas taxas Selic que são os juros praticados pelos bancos e por todo o sistemafinanceiro do Brasil.
Como de costume, há de maneira geral uma descrença em relação às atitudes dos integrantes do Copom, que sempre sustentam a necessidade de manter as taxas aos níveis mais elevados, porque isso, na visão e consciência deles, serve de barreira à elevação dos índices inflacionários, que seriam impulsionados pela aumento do consumo e aceleração de atividades de vários campos de negócios na economia.
A luta para que caiam as taxas de Juros Selic tem sido uma batalha isolada, tendo à frente o próprio Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lideranças dos trabalhadores, donas de casa, e uma quantidade razoável de pequenos, médios e até mesmo grandes empresários, que têm tido gigantescas dificuldades para tocar seus negócios, em razão da dificuldade de crédito e da cobrança exorbitante das taxas bancárias.
Mas no outro lado da história, há sempre uma reação organizada, com grande poder de influenciar o Banco Central, acuando os integrantes do Copom e impedindo que tomem atitudes no caminho da redução dos juros básicos.
Por tais razões, foi uma grande surpresa ver o artigo "Eu acuso: uma proposta para eliminr os juros absurdos”, escrito por André Lara Resende. Lara Resende, ao lado de Pérsio Arida, Edmar Bacha, Gustavo Franco e Pedro Malan, foi um dos responsáveis pela construção e implantação do Plano Real, no Governo Itamar Franco, o que foi essencial para as bases necessárias a Fernando Henrique Cardoso para derrubar a inflação galopante dos anos 1990. André Lara Resende foi à época, presidente do Banco Central.
Pelas qualificações do seu autor, as ideais que André Lara Resende trouxe no seu artigo publicado em 28 de setembro, em meio ao alvoroço da campanha eleitoral, despertaram um interesse relevante na sociedade, passando a ser discutidas nos meios políticos, empresariais e administrativos, mas, sem qualquer novidade, as reações contrárias à proposta vieram de imediato. E aí começou um processo enorme de desqualificação, com várias manifestações na mídia dominante, expressando descontentamento dos especuladores financeiros e dirigentes de grandes conglomerados empresariais.
O artigo Eu Acuso foi um soco no estômago do capital especulativo, dos que lucros montanhas de dinheiro às custas dos juros aplicados pelo Brasil, que colocam nosso país entre a 1ª e a 2ª posição no ranking global, com taxas (já descontada a inflação) de 9,30% a 9,67%.
André Lara Resende sustenta que temos uma das mais altas taxas reais do planeta, com a taxa básica em mais do dobro da taxa de crescimento nominal da economia. Ele diz que o serviço da dívida equivale a mais de 10% do PIB ao ano e é o responsável pela trajetória ascendete e insustenável da relação dívida/PIB.
E faz uma acusação gravíssima, que até agora parecia percepção apenas do Governo Lula e dos setores produtivos da economia, a de que "é urgente baixar os juros” , porque, na sua percepção responsável, a taxa Selic muito alta é a verdadeira causa do desequilíbrio fiscal no Brasil, ao contrário do que os rentisas do mercado pregam como um mantra, de que isso se deveria aos gastos primários do Governo.