- Trump impõe tarifas elevadas ao Brasil, visando dominar terras raras e isolar o país da China.
- Brasil possui segundas maiores reservas de terras raras, mas precisa de parceiros para beneficiamento.
- Parceria Brasil-China em terras raras pode excluir EUA de um mercado estratégico global.
- Brasil tentou negociação com EUA, mas Trump exigiu afastamento da China e controle sobre recursos.
- Governo brasileiro recusou exigências de Trump, mantendo posição firme em negociações.
Em toda essa questão envolvendo Estados Unidos e Brasil, decorrente dos absurdos tarifaços tributários impostos por Donald Trump a produtos brasileiros, tenho visto e chamado a atenção para uma condição dominante na postura do presidente norte-americano.
Em resumo, ao se tentar decifrar o que de fato Trump pretende com os embaraços criados ao Brasil, fica uma só leitura: ele quer, porque quer, o domínio sobre terras raras brasileiras, em primeiro lugar. Em segundo, mas no mesmo grau de importância, que o Brasil afaste qualquer aproximação com a China, especialmente no diz respeito a parceria bilateral para aproveitamento e beneficiamento dessas mesmas terras raras e minerais críticos.
Tramp sabe algumas coisas reais, que aqui elencamos:
-O Brasil é detentor das segundas maiores reservas mundiais de terras raras e minerais críticos;
-O Brasil não detém capacidade técnica que permita, isoladamente, a exploração com beneficiamento industrial desses minerais, daí sendo obrigado a pôr nas mãos de estrangeiros a matéria-prima bruta, em prejuízo do valor agregado que o beneficiamento registraria;
-Tendo a China como parceiro crescente em outras negociações, o Brasil tem avançado bastante para permitir que os chineses invistam fortemente no beneficiamento de terras raras e minerais críticos, uma decisão dos dois governos que promete ser muito benéfica aos dois países;
-Essa decisão avançada de Brasil e China em relação a terras raras pode deixar os Estados Unidos de fora de um grande negócio, certamente um dos três mais importantes do momento no mundo, pelo grau de necessidade que minerais vindos dessa área representa para a moderna indústria tecnológico e estratégica.
Por fim, Trump é forçado a ver a China se fortalecendo diante dos Estados Unidos. E isso é tudo que ele não deseja e parece disposto a impedir.
A repercussão acerca da decisão dos EUA de manter as tarifas tributárias extraordinárias de 25% aos produtos brasileiros, que somados aos 12 5% que já existiam, chegam a um carga estúpida de 37,5%, desmonta as falácias dos trumpistas ( ampliadas pelos irracionais bolsonaristas e extremistas de direita do Brasil) de que o governo brasileiro não quis negociar.
As provas de que o Itamaraty e representantes dos produtores e exportadores tentaram mais de 30 vezes uma negociação com os americanos, põe por terra qualquer narrativa diferente.
Ao contrário- como hoje se está sabendo- , o Governo Trump impôs ao Brasil a condição de se afastar da China e, especialmente, encerrar qualquer acordo com os chineses em torno de terras raras.
Trump ainda fez outras exigências, como a licença para que as Big Techs atuem no Brasil sem submissão às leis brasileiras, mas a questão de proa que norteia o ímpeto do dirigente americano é essa: me entreguem as terras raras e fiquem longe de qualquer aproximação com a China. O resto é perfumaria.
Como fica demonstrado que o Governo brasileiro não baixou a cabeça, não se rendeu, não entregou de bandeja o que Trump desejava, vamos ver agora como isso vai de fato ficar.