- Presidente Lula inicia visita aos EUA e prepara discurso na ONU, sua 10ª abertura da Assembleia Geral.
- Lula reúne-se com prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, em encontro produtivo na embaixada do Brasil.
- Conversas abordam pobreza, custo de vida e desafios globais, com crítica aos gastos militares e guerras.
- Lula espera que Mamdani se torne "soldado" contra a pobreza e convida-o a visitar o Brasil.
- Ministro Wellington Dias apresentará relatório sobre fome global, com alerta sobre meta dos ODS até 2030.
O Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva está desde domingo nos Estados Unidos da América, e hoje à noite, em Nova York, sobe ao palco pela 10ª vez como dirigente de seu país, para abrir a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Lula é com folga o líder político que teve mais oportunidades de abrir os discursos do Debate Geral da ONU ao longo de toda a história.
Sendo Presidente do Brasil em seu terceiro mandato, Lula já cumpriu essa honrosa missão em 10 ocasiões, fazendo a abertura oficial de um dos maiores eventos da humanidade, pela primeira vez em 2003 (logo após ter assumido a Presidência para o primeiro mandato), gesto que se repetiria em 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024, 2025 e agora em 2026.
Embora seu pronunciamento desta terça-feira seja bastante aguardado - até mesmo pelo nível das relações atribuladas que o presidente norte-americano Donald Trump tem reservado ao Brasil, com a descabida aplicação de tarifaços tributários a produtos brasileiros levados aos EUA e pelo acolhimento a manifestações políticas desprezíveis dos filhos do ex-presidente Bolsonaro, como ameaças de intervenção nas eleições de 4 de outubro- , Lula teve nessa segunda-feira um dia intenso de importantes encontros políticos e administrativos.
Atendendo a convite do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, Lula teve uma conversa considerada muito produtiva com esse jovem dirigente, que desponta como uma das mais afirmativas lideranças norte-americanas, num encontro que durou cerca de 50 minutos, realizado na residência oficial do embaixador do Brasil junto à ONU, Sérgio Danese, com a presenaça de auxiliares do prefeito e dirigentes do Partido Democratca.
O Prefeito Zohran Mamdani disse que receber a abraçar Lula "foi uma honra muito grande" e referiu-se ao presidente brasileiro como "uma grande referência para todos nós que defendemos os trabalhadores, os que vivem em dificuldades."
Lula deu de presente ao prefeito Mamdani uma camiseta do Corinthinas (seu time de coração) e recebeu do prefeito uma comiseta comemorativa da cidade, feita para a Copa do Mundo.
Os dois trataram sobre algumas das principais preocupações que os movem, com a pobreza e o aumento do custo de vida em todo o mundo, e até mesmo nos Estados Unidos, país que antes era considerada a maior economia do planeta e o sonho de consumo de milhões de pessoas fora dele.
Lula seguiu o dia de ontem exercendo seu papel de líder internacional, tendo importantes encontros com dirigentes de outras nações, como fez com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, quando trataram de relações bilaterais históricas, ocasião, também em que Lula relatou ter interesse particular em conhecer a experiência do país vizinho na regulamentação das apostas esportivas online, um assunto que vem sendo bem encaminhado no Uruguai e que o Brasil pretende tratar com êxito.
Tanto nos encontros com o prefeito de Nova York quanto com o Presidente do Uruguai, os gastos militares e a manutenção das guerras num momento em que a fome e a pobreza têm crescido no mundo, foram temas que marcaram as conversas e geraram indignação dos três dirigentes.
Precedendo certamente o que dirá hoje no discurso de abertura da Assembleia da ONU, Lula reiterou a importância da defesa da Democracia e do enfrentamento ao extremismo, manifestações de ódio e proliferação da desinformação, com o registro criminoso de atuação de plataformas digitais poderosas, num momento de visível avanço do extremismo de direita em várias partes do planeta e ensaios concretos de volta do nazifascismo.
Particularmente em relação a Zohran Mamdani, o presidente Lula disse esperar que ele se torne um "soldado" no combate à pobreza. "Como você é muito jovem, espero que você esteja preparado para se tornar um soldado para diminuir a pobreza e a invisibilidade dos pobres", e ao final convidou Mamdani para visiatr o Brasil.
Esse tema da fome e da pobreza, aliás, será central nessa presença do Brasil durante a 81ª Assmbleia Geral da ONU. Nesta terça-feira, Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e à Pobreza, apresentará relatório elaborado junto a todos os países que integram a Ação Global sobre o Estado de Segurança Alimentar e da Nutrição do Mundo em 2026, que aponta que cerca de 645 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2025 em todo o planeta.
Desse documento coordenado por Wellington Dias, vem um enorme alerta sobre o fato de que o Planeta está longe de zerar a fome até 2030( como previsto nos ODS), fatores que se agravaram com os conflitos armados, as guerras e as crises climáticas, que desviam recursos financeiros desse combate e afetam a produção e os preços dos alimentos que seriam imprecindíveis à redução da miséria.