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Imprensa argentina condena Milei e aponta crise como a mais grave dos últimos 50 anos

Diz o jornal que na avaliação unânime de dezenas de diplomatas da ativa e aposentados, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais de ambos os países, “foi desencadeada a maior crise diplomática dos últimos 50 anos entre Argentina e Brasil.”

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  • Jornais argentinos destacam crise diplomática com o Brasil após ofensas de Milei durante evento eleitoral.
  • La Nación afirma que a crise pode ser a pior dos últimos 50 anos entre Argentina e Brasil.
  • Chanceler Quimo e Karina Milei repercutiram discurso ofensivo, gerando críticas à política externa argentina.
  • Relações comerciais e diplomáticas entre os dois países estão em risco devido ao conflito desencadeado por Milei.
  • Crise afeta áreas como economia, educação e tecnologia, que historicamente eram alianças sólidas entre os países.
Javier Milei | Reprodução/Instagram

Os principais jornais argentinos destacaram ontem em suas capas e em seus editorais, os vexames causados pelo presidente do país, Javier Milei, e as consequências que isso deverá causar nas relações da Argentina com o Brasil, após o festival de grosserias e incivilidades disparado por esse governante durantre o evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, no sábado, em São Paulo.

O centenário jornal  La Nación, que tem 156 anos de existência (fundado pelo ex-presidente da Argentina, Bartolomé Mitre, em 4 de janeiro de 1870), um emblemático meio de comunicação acostumado, portanto, a acompanhar as mais diversas formas de crises no país ao longo da história, contou ontem, numa matéria de página inteira, com chamada na cabeça da primeira página, que essa pode se tornar a pior das crises nas últimas décadas.

Diz o jornal que na avaliação unânime de dezenas de diplomatas da ativa e aposentados, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais de ambos os países, "foi desencadeada a maior crise diplomática dos últimos 50 anos entre Argentina e Brasil."

Essa advertência advém, certamente, não apenas pelo tradicional acompanhamento da vida política argentina, com suas crises contínuas, golpes, ditaduras e supressão das liberdades públicas, mas  igualmente, ao se olhar com atenção e respeito   para o terreno da economia, para lembrar que o Brasil sempre manteve alianças comerciais e diplomáticas saudáveis e construtivas com a Argentina, condição que "faz hoje ser o país agora atacado por Milei o maior e mais importante parceiro comercial dos argentinos, muito distante de outros países". 

A imprensa argentina relata que a dimensão alcançada pelo conflito detonada por Javier MIlei gerou críticas contundentes não apenas a Milei, mas também à política externa argentina e, em especial, ao chanceler Pablo Quimo, que ao lado da secretária-geral da Presidência, Karina Milei, acompanhou o presidente em sua controversa participação política interna e na campanha eleitoral brasileira. 

Além de acompanhar Milei, o chanceler republicou nas redes sociais o discurso presidencial com grosseiras ofensas ao Presidente Lula e a membros do Poder Judciário brasileiro.

Para os argentinos, conforme especialistas internacionais ouvidos, a exemplo do mestre da Universidade Torcuato Di Tella, Juan Gabriel Tokatlian, essa situação tem um significado muito específico do ponto de vista diplomático, "porque o chanceler Quimo estava presente em todos esses atos e os repercutiu. Para o Brasil, portanto, isso será interptetado como uma política deliberada do Estado argentino, e não como um ato isolado e irracional de um presidente fazendo campanha para outros líderes políticos da região."

Já Marcelo Elizando, especialista em relações econômicas internacionais, "a tensão entre os dois governos atinge níveis inéditos, sendo a primeira vez na história moderna, que algo assim acontece. E todos os especialistas ouvidos pelo jornal La Nacion, no seu robusto documento da página 13 da edição desta segunda-feira, “atacar Lula torna ainda mais difícil apra manter as relações bilaterais normais com um país onde, muito provavelmente, o grupo político atualmente no poder continuará governando.”

Todos repudiam a aproximação de Javier Milei com a estratégia político/ideológica de Donald Trum,marcada pelo aumento sucessivo de tarifas sobre produtos brasileiros e por manifestação de apoio a oposição durantre a campanha eleitoral do Brasil. 

A crise instaurada pelo discurso de baixo nível que Javier Milei fez contra o Brasil, com mentiras e grosserias contra o Presidente Lula, ataques desqualificados ao ministro Alexandre de Moraes e invencionices sobre campanha contra a Argentina na Copa, que teria financiamento brasileiro, deverá ser fatal para uma relação comercial próspera e elevada, com dimensões que se espalham por toda a economia, comércio, educação, cultura, turismo, defesa, ciência e tecnologia. Essa é uma relação que de conflitos e rivalidades do passado, transformou-se em amizade e aliança que se estende por décadas e mais décadas. 

Os dois países combinados representam 63% da área total da América do Sul, 60% de sua população e 61% do PIB da região. O Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina, e esse país é o terceiro maior parceiro político no continente.

O Jornal Clarin, outro grande veiculo argentino, do alto de seus mais de 80 anos( fundado em 28 de agosto de 1945) trouxe página inteira sobre o papelão de Milei e cravou:

“O conflito rompe uma tradição histórica de dar prioridade ao bom relacionamento.”

Tudo isso, agora, pode ir por águas abaixo, graças simplesmente à irracionalidade, deselegância e incivilidade de Javier Milei.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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