- Movimento de extrema direita global combate voto feminino usando redes digitais e influenciadores.
- Paulo Figueiredo e Pietra Bertolazzi defendem ideias antifeministas e contrárias ao voto feminino.
- Voto familiar é proposto como alternativa ao voto individual das mulheres nos EUA.
- Brasil tem 83,8 milhões de mulheres aptas a votar, com papel central na gestão familiar.
- Extremistas de direita buscam reverter direitos conquistados por mulheres há décadas.
Tem crescido em várias partes do mundo um movimento liderado pela extrema direita contra o voto feminino, uma campanha escancarada que usa um ecossistema digital ancorado por influenciadores, podcasts e grupos extremistas do retrocesso político, na tentativa de mostrar que as mulheres não sabem votar, e por isso esse seu direito conquistado há décadas não pode ser mantido.
Essa pauta tem circulado com intensidade nos movimentos masculinistas, ultramachistas dos Estados Unidos e países europeus, e vem ganhando corpo no bebate político, chegando ao Brasil de maneira bastate clara.
Agora mesmo, nas recentes movimentações políticas de rua e presença permanente nas redes sociais, o tema voltou com plena carga nas últimas eleições alemãs, nas quais o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições realizadas no dia 6 de setembro no Estado da Saxônia-Anhalt.
Entre os norte-americanos, defende-se a ideia de que o voto individual da mulher seja substituído por um sistema centrado no domicílio, o chamado voto familiar, com a decisão de escolha ficando a cargo exclusivo do "homem, chefe-de-família". Essa tese faz parte da pauta de Donald Trump para se manter no posto.
Nomes com grande influência nas comunicações, com penetração e repercussão no Brasil, como o influenciador Paulo Figueiredo, Renato 38ão e a influenciadora Pietra Bertolazzi têm monifestado essas posições contrárias ao voto feminino. Bertolazzi é apresentada ao público em suas redes como empresária, criadora de conteúdo e comentarista brasileira. Ainda jovem, tendo cerca de 35 anos, ganhou notoriedade na internet por posicionamentos conservadores e antifeministas.
Paulo Figueiredo, por sua vez, é identificado como influenciador e comentarista de internet literalmente atrelado à extrema-direita, ou à direita radical ultraconservadora, como se deseje alinhá-lo. Ele próprio se define como conservador, anticomunista fervoroso e ultra defensor de pautas sobre "liberdade de expressão" e "livre e pleno mercado".
E é muito mais conhecido por todos como o braço direito do Bolsonarismo na comunicação, especialmente nos Estados Unidos (tendo o Brasil como caixa de ressonância e direcionamento), firmando-se como elemento de plena confiança e forte atuação junto a Eduardo Bolsonaro, atuando nas pautas que colocam Trump nas linhas de ataque contra os interesses brasileiros, inclusive no que diz respeito aos tarifaços aplicados ao nosso país pelo governo americano.
Em junho passado, durante um podcast, Paulo Figueiredo declarou abertamente que a mulher não sabe votar, que o comportamento eleitoral delas é ruim, que as mulheres solteiras são ainda piores, que as mulheres casadas tenderiam a acompanhar o marido em seus votos ( e daí seriam menos ruins). E vejamos aqui o contexto em que essa fala estúpida do porta-voz de Eauardo e Flávio Figueiredo se deu.
Suas dclarações foram feitas em resposta à ex-primeira dama do país, Michelli Bolsonaro e ao desempenho do PL Mulher, como resposta ao vídeo vídeo que Michelli divulgara há dias com duras críticas ao candidato do PL Flávio Biolsonaro.
As falas de Figueiredo ecoam teses defendidas pela extrema direita em várias partes do mundo, e que vêm sendo intentadas nessa marcha que o neonazismo empreende para voltar ao poder. Tanto, que seu discurso não ficou isolado, ganhando apoio e repercussão de influenciadores locais ligados ao bolsonarismo, e não apenas no campo masculino.
Ganhou o abraço de figuras como Fernanda Guardian, que em seu espaço digital que abriga mulheres, declatrou que abriria mão de votar sem problema, ou de Pietra Bertolazzi, que não teve dúvida de atacar o voto feminino.
É necessário e urgente ficarmos atentos a essses movimentos extremistas de direita, pois trabalhar para eliminar um direito da mulher brasileria conquistado há mais de 90 anos, é algo espúrio, nojento, absurdo, inaceitável, porque se reveste de uma perversão político-ideológica fora de qualquer limite de razoabilidade e de humanidade.
O Brasil possui 83.877.126 mulheres aptas a votar — número que corresponde a 52,84% do total nacional de eleitores.
E a vida prática tem demonstrado que são as mulheres que detém em suas mãos a melhor capacidade de escolha, pois são elas que conduzem a família, cuidam da educação dos filhos, administram as contas familiares e, deste modo, têm melhor compreensão do que é melhor para a sua cidade, o seu Estado e o Brasil.
Penso que aos democratas, aos progressitas, àqueles todos e todas que desejam ver o Brasil seguir prosperando e reduzindo suas imensas diferenças econômicas e suas brutais injustiças, cabe uma reação à altura, dizendo nas urnas que não aceitam as teses estapafúrdias dos extremistas de direita e oportunistas políticos do momento. E que o Brasil merece o mellhor, e perversos extremistas estão longe de consagrar o desejo de conquistar o poder.