- Crise global de fertilizantes afeta produtividade agrícola brasileira em 2026.
- Conflitos na Rússia-Ucrânia e Oriente Médio elevam custos e reduzem oferta de insumos.
- Preços de fertilizantes subiram 14% e impactam culturas como soja, milho e café.
- Agricultores reduzem doses de adubos e adiaram investimentos tecnológicos.
- Inovação em práticas sustentáveis ganha força diante da crise dos insumos.
Há fortes sinais de que o produtor agrícola brasileiro está com o pé no freio, reduzindo sua marcha neste ano de 2026, atingido pela grave crise global de fertilizantes, que tem se acelerado em decorrência da guerra da Rússia com a Ucrânia, e mais recentemente dos conflitos fatais entre Israel e o Irã, após os comandos do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com apoio logístico e bélico dos EUA, pelas mãos de Trump, terem tomado conta do território iraniano.
A Rússia sempre foi um dos principais fornecedores de fertilizantes e adudos para o produtor rural brasileiro e desde a deflagração dos conflitos com a Ucrânia, o Brasil não viu apenas iniciar-se um movimento de redução da oferta desses insumos, gerada pela diminuição na produção pelos russos, como começou a sentir a elevação dos preços.
Há seis anos, governo brasileiro fechou três fábricas de fertilizantes da Petrobras entre 2016 e 2020. Duas delas encerraram suas atividades quando Michel Temer (MDB-SP) era presidente. A outra foi desativada mais à frente, já na gestão de Jair Bolsonaro. Com a queda da produção interna de adubo, o Brasil passou a ficar ainda mais dependente dos fertilizantes importados da Rússia, atualmente em guerra com a Ucrânia.
Os principais fornecedores de fertilizantes e adubos para o Brasil, além da Rússia, são a
China, o Canadá, o Marrocos e o Egito.
China: É um dos maiores parceiros do Brasil no fornecimento de insumos agrícolas, destacando-se em fertilizantes nitrogenados e fosfatados. Canadá: Principal exportador global de cloreto de potássio, sendo um dos maiores e mais estáveis fornecedores de potássio para as lavouras brasileiras. Marrocos: Referência mundial e grande parceiro comercial do Brasil no fornecimento de fertilizantes fosfatados. Egito:Importante fonte de adubos nitrogenados para o mercado nacional, representando uma fatia relevante das importações do setor.
Com a deflagração da guerra no Oriente Médio, e consequente fechamento do Estreito de Ormuz, os problemas de importação de fertilizantes se agravaram, ficando ainda mais difíceis de importação e tornando os preços sempre mais elevados.
O impacto disso no Brasil é expressivo. Metérias-primas essenciais como o enxofre e a ureia, tiveram disparada histórica de preços, gerando uma onda de encarecimento sobre a produção de itens importantes da produção brasileira, como café, o trigo,a laranja, o arroz, a cana-de-açúcar, a soja e o milho.
O trigo,por exemplo, já sofreu uma redução severa de adubação nitrogenada e fosfatada, devido aos altos custos de produção e menor rentabildiade no campo, forçando redução nos plantios.
O mesmo vem acontecendo com o arroz, o milho, a soja, e até com plantações perenes como a laranja. No caso da cana-de-açúcar, produtores revelam reajustes superiores a 50% nos custos de adubos nitrogenados e fosfatados, o que acaba influenciando negativamente os preços do açúcar e do etanol, afetando, na ponta, o consumidor final.
O Brasil depende em 85% da importação de adubos e fertilizantes para todas essas culturas agrícolas que fazem parte da balança estratégica do país nas suas relações comerciais com o mundo. Daí vem o temor de que essa onda de elevação de preços de insumos básicos não apenas contribua(como já vem acontecendo) para elevação dos preços ao consumidor, mas tenha forte influência na redução da safra agrícola, interropendo uma caminhada progressiva que vinha se mantendo nos últimos quatro anos.
Para se ter uma ideia desse grave problema, enquanto o Brasil esperava aumentar sua produção rural nesta safra e com isso elevar sua presença na balança comercial com o exterior, a redução na compra de fertilizantes até o momento já chega a cerca de 14%, embora o gasto financeiro total do setor rural permaneceu estável,em função do aumento de preços dos insumos lá fora.
Na tentativa de fechar as contas em meio à baixa oferta de fertilizantes e adudos, os apertos nos preços e o endividamento do setor, muitos agricultores optaram por reduzir a dosagem de nutrientes aplicada por hectare, ou postegar investimentos tecnológicos, o que, ao final, afetará o desempenho neste ano de 2026.
Mas como sempre existem dois lados da mesma moeda, o lado positivo dessa crise tem sido o avanço forçado da inovação no campo. Sobretudo entre cooperativas, agricultores estão intensificando o uso de práticas como a adubação verde, análise digital do solo para aplicação cirúrgica e a adoção de bioinsumos (fertilizantes biológicos), na tentativa de extrair o máximo de eficiência para cada real investido no solo.