Ontem, no exato dia em que Jair Bolsonaro foi ao Supremo Tribunal Federal para ser julgado pelos Ministros que integram a 1ª Turma do STF, consequência das ações que comandou para impedir que o Presidente Lula governasse - ações culminadas no fatídico 8 de Janeiro-, o ex-presidente brasileiro sofreu um duríssimo golpe vindo de fora do país.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto para mudar regras do sistema eleitoral norte-americano. E aí vem a surpresa: Trump cita no documento formal o Brasil como "um bom exemplo de segurança nas eleições", e elogia francamente a aplicação da biometria, "que vincula a identificação do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto nos Estados Unidos dependem amplamente da autodeclaração de cidadania", afirma o documento.
O texto prevê que os departamentos de Segurança Interna (DHS), de Estado e Administração da Seguridade Social forneçam aos estados o acesso ao banco de dados federal. A norma legal assinada por Trump cita nominalmente Brasil e Índia exatamente nesse ponto, ao mencionar o sistema de biometria usado nos dois países e vitoriosamente aplicado em nosso país.
O documento assinado pelo presidente dos EUA foca na prevenção de possíveis fraudes no processo eleitoral, como o voto de estrangeiros e imigrantes ilegais, algo que o sistema adotado pelos norte-americanos favorece.
Embora as regras eleitorais no Brasil, diferentemente dos EUA, resultem de Leis amplamente discutidas e aprovadas pelo Congresso Nacional, ao contrário do uso de Decreto como Trump está fazendo, no seu jeito de governar, as referências elogiosas que o Presidente norte-americano faz ao Brasil ganham uma configuração política muito importante, pois vêm numa linha contrária ao que pensam e pregam os adeptos do bolsonarismo que, partindo do ex-Presidente Bolsonaro-que é declarado fã e seguidor de Trump- , promoveram insistentes ações contra o sistema eleitoral brasileiro.
As movimentações de Bolsonaro e seus adeptos contra as urnas eletrônicas levaram a uma onda sistemática de tentativa de desmoralização do sistema eleitoral, ataques permanentes a Ministros do STF e do TSE, que culminaram com a histórica reunião que o ex-Presidente manteve com embaixadores estrangeiros no Brasil, realizada em 18 de julho de 2022 , no ano das eleições, durante a qual atacou as urnas eletrônicas, afirmando, sem provas, que elas eram inseguras e favoreciam fraudes.
A intenção de Bolsonaro com essa convocação aos embaixadores era conquistar o apoio de outras países, levando a guerra contra o sistema eleitoral do país a um plano internacional, de modo a impedir que as eleições daquele ano, nas quais ele perdeu nas urnas para Luís Inácio Lula da Silva, fossem realizadas sob o modelo vigente.
Nesse afã de desmoralizar ministros da Suprema Corte e do TSE, insistentemente apontando as urnas eletrônicas como instrumentos de corrupção eleitoral (ao contrário do que realmente são), chegou-se aos atentados de 8 de Janeiro, quando se buscou impor um golpe político, impedindo que o Presidente Lula continuasse seu governo iniciado uma semana antes.
Os atos resultaram num vandalismo nunca visto na história politica do país, com depredações em prédios e objetos, até mesmo em valiosas obras de arte, nas sedes dos Três Poderes, em Brasília.
E são esses fatos que agora passam pelo julgamento dos ministros do Supremo, tendo esses dois dias como o marco do acolhimento das denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República.
Repito que a atitude de Donald Trump, de mudar a legislação eleitoral dos Estados Unidos, por servir, segundo ele, à fraude e assim sendo imprestável à moralidade e à eficiência, representa um revés seríssimo ao bolsonarismo. E isso se dá no exato ponto em que Trump cita o Brasil como um bom modelo de legislação eleitoral, tendo a biometria sendo por ele elogiada e desejada.
Se Bolsonaro tem Donald Trump como um ídolo, e como uma esperança de que a sua sua "força mundial" possa evitar que ele seja condenado e preso, agora fica mais difícil entender qualquer outro gesto do dirigente norte-americano, depois das referências elogiosas que faz o Brasil, por possuir um sistema que está correto e é eficaz ao exercício de eleições limpas.
É impossível que o Bolsonarismo, mesmo transferindo Eduardo Bolsonaro para território americano, largando o mandato de deputado federal nessa aventura, possa ajudar em alguma coisa.