Quando o Comitê de Política Monetária (COPOM) realizou sua última reunião, finalizada em 28 de janeiro de 2026 (276ª Reunião), e em que decidiu por unanimidade manter as atuais taxas Selic em 15%, veio um alívio trazido na ata desse encontro, expressando a intenção de que, já na próxima sessão, esses patamares de juros começariam a baixar.
Já naquele momento, o Copom vinha sofrendo pressão do próprio mercado diante de necessidade de colocar as taxas em níveis mais baixas, em razão de que os juros elevados aplicados pelos bancos vinham causando severa dificuldade até mesmo aos grandes negócios do mercado, incluindo aí o poderoso agronegócio, que se encontra agora às voltas com endividamento e com pedidos de recuperação judicial de centenas de empresas.
Não esperavam, até então, que fatos novos viriam se interpor a essa lenta e retardada intenção de baixar as taxas Selic, mas essa realidade agravou-se de maneira significativa com a eclosão da guerra no Oriente Médio, que neste momento já está perto de completar 20 dias de ataques, mortes e destruição, com uma influência brutal sobre os preços dos combustíveis e outras commodities.
Um cenário, então, que parecia favorável para o início dos cortes de juros, mudou de maneira brusca depois que EUA e Israel resolveram atacar o Irã, causando a morte do seu comandante supremo, o aitolá á Ali Khamenei, fixando um conflito que rapidamente se espalhou sobre outros países do Oriente Médio, afetando a produção e fornecimento de petróleo, gás e insumos da agropecuária numa das mais importantes regiões do mundo em reservas de combustíveis fósseis.
Atingindo os campos de extração e beneficiamento de petróleo e gás e, na sequência, fechando o Estreito de Ormuz, por onde escoa para o resto do mundo os produtos daí retirados, os preços subiram às alturas, fazendo o barril de petróleo passar dos US$ 55 para níveis superiores a cerca US$ 105, dobrando os seus valores em apenas 15 dias, sem que haja qualquer luz sobre os fim desses conflitos.
Esse aumento de preços começa a afetar o Brasil, onde os combustíveis começaram a subir, com a Petrobras anunciando o aumento do diesel nas refinarias, que só não será maior para o consumidor final em razão de o Governo ter retirado a incidência do PIS/Confins.
E mais grave começa a ser a compra de insumos da agropecuária, como adubos e fertilizantes, que os produtores brasileiros historicamente importam da maioria desses países do Oriente Médio, a exemplo do próprio Irã, do Catar, Jordânia e Omã.
Se antes havia a esperança de que os cortes da taxa Selic começariam com 0,5%, conforme acreditava grande parte do mercado, agora o ambiente é de total incerteza e insegurança para o que os membros do Copom, que se reúnem a partir desta terça-feira, poderão decidir até o final do dia da quarta-feira, 18 de março.
Numa pesquisa realizada junto a 103 integrantes do mercado, entre bancos, gestoras de recursos e consultorias, 49 deles ainda esperam que a Copom vai começar a redução da Selic em 0,5%. Mas os outros 53 integrantes mostram-se mais cautelosos e pessimistas, confiando que essas taxas, se caírem, não passarão de uma redução ínfima de 0,25%.
O temor real, que neste momento já começa a preocupar os agentes do próprio mercado, é que uma aceleração dos preços do petróleo e as consequências que isso provoca no resto da economia, pode afetar penosamente o agronegócio brasileiro, reduzindo suas capacidades de produção e criando dificuldades de crédito significativas.