Uma notícia extraída de um estudo do Instituto de Economia do Trabalho é bastante esperançosa para quem vive no Nordeste, mas também deve servir de ponto de reflexão sobre os programas sociais criados na direção de amparar os mais vulneráveis, sistematicamente apontados por segmentos conservadores como medidas populares que não passam de esmola, viciam o cidadão e os torna preguiçoso e imprestável.
O estudo do Instituto de Economia do Trabalho revela que após a implantação do Programa de Cisternas, lançado em 2003, ainda no primeiro mandato do Presidente Lula, 30% dos beneficiários do Bolsa Família( mais exatamente, 30,4%) saíram deste programa e entraram no mercado produtivo, graças à chegada da água e, por consequência, pelo alcance de resultados altamente positivos trazidos à agricultura familiar, à criação de animais, sem contar os benefícios levados à saúde e à alimentação.
Nesses pouco mais de 20 anos, o Programa Cisternas não apenas garantiu o fornecimento seguro e constante de água e a queda no número de doenças e internações relativas a doenças hídricas para milhões de pessoas no semiárido nordestino, mas também permitiu uma melhora da renda e a queda da dependência do Bolsa Família, uma prova evidente de que esse revocionário programa brasileiro (visto como exemplo para o mundo) não é apenas assistencial, mas indutor importante de trabalho e produção, por fornecer, sobretudo aos nordestinos, as condições necessárias para êxito no trabalho rural.
Os dados mostram que a proporção de famílias que dependiam do Bolsa Família na extensão do semiárido nordestino, caiu de 56% para 35% nas regiões estudadas.
A segurança hídrica emponderou as famílias a terem acesso a outras atividades, gerando autonomia financeira e contribuindo para que em todo o Nordeste a agricultura familiar seja hoje uma realidade altamente positiva, por permitir, além de ganhos aos seus executores, uma qualidade diferenciada de alimentos saudáveis que chegam à mesa das famílias.
Com a análise nesse estudo cruzando dados da RAIS, Cadastro Único e Sistema de Informações Hospitalares, fica demonstrado o aumento expressivo de renda e a diminuição de inúmeras doenças hídricas causadas especialmente a crianças e idosos, além da redução significativa das internações hospitalares.
A agricultura familiar no Nordeste vive momento de crescimento expressivo, graças ao Programa de Cisternas, uma ideia simples de tecnologia social, que permite aos nordestinos, secularmente castigados pela seca, a aproveitarem as águas dos períodos de fartura, de chuvas mais intensas, para armazená-la de modo a que possam ser irrigadas nos períodos de escassez. Assim, essas águas armazenadas, além de servirem às lavouras e à alimentação de animais (que antes simplesmente morriam), também impedem que os moradores da região passem sede, ou façam caminhadas quilométricas em busca desse alimento essencial.
Em 2025, por exemplo, o Nordeste liderou o aumento percentual na produção de grãos. Estados como o Ceará e Paraíba alcançaram o percentual de aumento de 37.9% e o Rio Gande do Norte teve crescimento ainda maior, de 51,6%.
É assim que a agricultura familiar se torna a maior fornecedora dos alimentos básicos da região, como 80% da mandioca, 60% do feijão e 62% do arroz. Esse é o setor da economia nordestina que vem adquirindo o status de principal pilar de emprego no meio rural, ocupando mais de 4,7 milhões de pessoas, mesmo diante de desafios climáticos ainda persistentes, mesmo com a atenuação vigorosa que o Programa de Cisternas foi capaz de trazer.