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Coluna do jornalista José Osmando - Brasil em Pauta

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Brasil aumenta cerco ao crime organizado, mas desafios e riscos são crescentes

O foco dessas operações foi o estrangulamento financeiro dos operadores do crime organizado, uma ação fundamental para barrar a lavagem de dinheiro

Viaturas da Polícia de São Paulo | Polícia de São Paulo

O Brasil conseguiu alcançar significativos avanços no combate às organizações criminosas durante o ano de 2025, obtendo sucesso em várias operações policiais executadas pela PF, com integração à  Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Ministério Público de vários Estados.

O foco dessas operações foi o estrangulamento financeiro dos operadores do crime organizado, uma ação fundamental para barrar a lavagem de dinheiro, conter a sonegação e dificultar o relacionamento desses operadores com organizações internacionais, principal elo para o tráfico de armas, drogas e minérios.

Só no ano passado, com essas operações, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 9,6 bilhões em dinheiro, bens e ativos ligados a facções criminosas, valores que somados desde 2023, passam dos R$ 20 bilhões.

O combate a esses delitos aumentou em 64% em relação ao ano anterior e teve crescimento de 80% desde 2022. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou a atuação na repressão ao tráfico de drogas, armas e contrabando nas rodovias federais e na região de fronteira, marcando, de janeiro a novembro, 31 mil registros de ocorrências.

E pela primeira vez na história do Brasil o combate às organizações criminosas chegou ao andar de cima, como se viu, sobretudo, durante a Operação Carbono Oculto, que atingiu o coração da Faria Lima, endereço emblemático do poder econômico do país, onde foram detectados 42 grupos que operavam Fintechs e promoviam falsificação de combustíveis, lavagem de dinheiro, sonegação, e mantinham ligações perigosas com o PCC.

O perfil do crime organizado mudou nos últimos anos, ao transcender as fronteiras nacionais e se tornar um fenômeno global. Desde 2023, o Governo do Brasil, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), foca em  ampliar a eficiência da estratégia de enfraquecer financeiramente as facções com a instauração simultânea de iniciativas locais, nacionais e internacionais. 

Foi criada  uma comissão para implementar uma estratégia comum contra o crime organizado transnacional e instituído um grupo de trabalho especializado sobre recuperação de ativos, a fim de asfixiar as fontes de financiamento de atividades ilícitas.

Ação da PRF nas estradas ajuda a ampliar o número de apreensões de substâncias e mercadorias ilícitas. 

Em 2025, além da Carbono Oculto, realizada em agosto em São Paulo e outros seis Estados, o Governo Federal comandou três outras grandes operações, a Quasar, Thank e Faro.

Embora seja visível a determinação do Governo brasileiro para o enfrentamento do crime organizado, esse trabalho exige cada vez mais atenção, esforço e inteligência, pois as organizações criminosas cada vez mais se aperfeiçoam, adotam novos padrões e obtém o status de organizações empresárias sofisticadas.

Basta ver o que acontece no Estado do Rio de Janeiro, onde um levantamento recente mapeou 25 funções dentro das facções que passam por especialização de mão de obra, setorizando-se as tarefas que os criminosos terão que desenvolver em cada ilícito praticado. O objetivo é qualificar pessoas para que se atinja sempre mais êxito nos crimes cometidos. 

Funcionando como se fosse uma grande e moderna indústria, a estratégia dos criminosos separa os setores e qualifica seus operadores por função, desde os cargos de gerente de logística, a responsável por engenharia de barricadas, passando por encarregados do monitoramento por drones e dos bailes funk nas comunidades.

Pelo menos 20 desses cargos foram mapeados pela DRE ao longo das grandes operações de 2024 e 2025.

Vê-se, deste modo, que a tarefa será sempre mais difícil e os riscos sempre crescentes.  Se, de um lado, o Governo demonstra mais disposição para o combate, no outro campo o crime organizado se fortalece não apenas do ponto de vista material, mas agora pondo em prática logística inspirada em inteligência.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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