Faltando menos de duas semanas para entrar em vigor o Acordo do Mercosul com a União Europeia, neste 1º de maio, o Brasil está tendo um notável protagonismo na tradicional Feira de Hannover, na Alemanha, onde o presidente Lula e uma grande comitiva se encontram desde o domingo.
O evento, um dos mais importantes da Europa, vai até a sexta-feira desta semana, tendo neste ano o Brasil como país destaque, sobretudo por sua enorme contribuição na produção de alimentos e no crescente vigor do agronegócio.
Discurso de Lula e defesa do acordo
Ontem, no discurso que fez ao abrir a feira, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a iminente vigência do Acordo Mercosul/UE, mas pediu reparação às críticas que essa negociação, considerada a maior do mundo, vem sofrendo por parte de ruralistas e governantes de alguns países, com destaque para França e Bélgica.
Ele citou “afirmativas falsas” sobre a agricultura brasileira, ressaltando que o Brasil, além das amplas possibilidades de colocar no mercado europeu produtos rurais de excelente qualidade, pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e a executar um papel primordial na descarbonização da região.
Lula alertou os europeus sobre a necessidade de que o bloco leve em conta a matriz energética utilizada nos processos brasileiros, resultado de uma política de produção de energia limpa. Segundo ele, o país vem fazendo o “dever de casa” na substituição gradativa dos combustíveis fósseis e na construção de uma transição energética segura e não poluente.
Temor europeu e competitividade brasileira
O que de fato fundamenta os discursos contrários de setores ruralistas da Europa, amparados pelo populismo de alguns governantes, é o temor de que os produtos rurais gerados no Brasil cheguem à Europa, para benefício dos consumidores finais, a preços muito mais baixos do que aqueles que os europeus conseguem produzir.
Isso decorre de um avanço significativo que o agronegócio brasileiro conquistou nas últimas décadas, incorporando pesquisa científica de ponta e absorvendo tecnologias avançadas.
O papel da Embrapa e avanços tecnológicos
Tudo isso é resultado do trabalho da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que, em parceria com o empresariado rural, alcançou feitos que os europeus ainda estão longe de atingir.
Alguns países, como Polônia e Romênia, têm se destacado dentro do continente europeu como importantes polos de produção agrícola de baixo custo, ganhando competitividade em relação a nações mais poderosas, como França, Bélgica e Reino Unido. Ainda assim, enfrentam resistência de países que não atingiram o mesmo nível de evolução.
Crescimento agrícola no Leste Europeu
A Romênia é hoje a maior produtora de girassol da União Europeia, destacando-se também como grande produtora de milho e soja. A Polônia, por sua vez, aumentou significativamente suas exportações de grãos, como o milho, para mercados de outros países, sobretudo a França.
Se isso já vinha incomodando França, Bélgica e Reino Unido, os temores de perda de competitividade crescem de forma substancial com a entrada de produtos do Sul global, especialmente do Brasil.
Narrativas e críticas ao agronegócio brasileiro
Com atraso em pesquisas e, consequentemente, com reduzida competitividade diante de produtos mais baratos da América do Sul, ruralistas e dirigentes desses países passam a sustentar a narrativa de que a agricultura brasileira tem forte presença de agrotóxicos, utilizando esse argumento para dificultar o acordo entre os blocos.
Na realidade, os entraves impostos por ruralistas europeus à prosperidade desse acordo, que entra agora em vigor, ainda que parcialmente, baseiam-se em três pontos: alegações de “concorrência desleal”, custos europeus mais elevados e questões ambientais.
Nos três casos, os fatores estão mais relacionados às limitações internas desses países do que a práticas brasileiras.
Ciência, produção e redução de custos
Não se pode falar em concorrência desleal ao permitir a entrada de produtos mais baratos na Europa, já que essa competitividade brasileira resulta de investimentos legítimos em ciência e pesquisa.
A adoção de tecnologias modernas levou à redução dos custos de produção, impactando diretamente os preços tanto no mercado interno quanto nas exportações. O agronegócio é o carro-chefe da balança comercial brasileira, e os produtos chegam à Europa com preços inferiores aos praticados localmente.
Brasil como referência ambiental
Quanto às questões ambientais, o Brasil se apresenta como um modelo global, não apenas pela abundância de recursos naturais para a geração de energias limpas e renováveis, mas também pela decisão estratégica de investir, junto ao setor privado, em uma infraestrutura robusta voltada à transição energética.
Esse movimento busca atender a uma demanda crescente do planeta por soluções sustentáveis e menos poluentes.