A Havan registrou um faturamento de R$ 18,5 bilhões em 2025, um crescimento de 16,1% em relação ao ano anterior, segundo balanço divulgado pelo fundador e presidente, Luciano Hang. O resultado veio em um cenário de forte expansão do varejo, mas exigiu uma leve redução das margens para sustentar o crescimento.
O aumento do top line veio principalmente do volume de vendas, com o indicador de “mesmas lojas” subindo 14%. A varejista inaugurou sete novas unidades no ano passado, sendo seis delas no último trimestre, pouco impactando o faturamento. Atualmente, a Havan possui 184 lojas, todas com praça de alimentação e estacionamento gratuito, reforçando seu posicionamento como um “shopping do interior”.
“Decidimos reduzir as aberturas em 2025, mas conseguimos entregar um bom resultado com ganho de market share”, afirmou Hang ao Brazil Journal.
Desempenho acima do mercado
Enquanto a Havan cresceu 16,1%, concorrentes como Riachuelo registraram expansão de 9% e Renner e C&A cresceram 11,8% e 8,4% nos nove primeiros meses de 2025. O varejo como um todo teve alta inferior a 3%.
O tráfego nas lojas da Havan chegou a 190 milhões de pessoas, alta de 7%, e o tíquete médio subiu 8,3%, alcançando R$ 275.
Margens sacrificadas
O crescimento veio com impacto na rentabilidade. A margem bruta caiu de 40,9% para 38,9% e a margem EBITDA passou de 23,9% para 23%. Hang atribui a redução a custos com dólar e frete no início do ano, usados para manter preços competitivos e não perder volume.
O lucro líquido da empresa foi de R$ 3,4 bilhões, beneficiado por ganhos extraordinários de cerca de R$ 450 milhões em ações judiciais contra a União. Considerando esse efeito, a margem líquida chegou a 25,1%.
Plano de expansão ambicioso
Para 2026, a Havan planeja abrir 15 a 25 novas megalojas, principalmente no Norte e Nordeste, entrando nos estados de Fortaleza, Roraima e Macapá, e busca faturar mais de R$ 22 bilhões. O investimento total previsto é de R$ 1,5 bilhão, financiado por fundos imobiliários e FIDCs controlados pelo próprio Hang.
O empresário afirma que o crescimento futuro será reinvestido no próprio negócio, mantendo a estratégia de expansão agressiva adotada desde 2009. A meta de longo prazo é chegar a 500 lojas no Brasil, podendo superar 300 unidades assim que atingir 200 lojas.
“2024 e 2025 foram a colheita de todo o trabalho que fizemos nos últimos anos. Agora, com a casa arrumada, queremos voltar a crescer”, disse Hang.