Escrito por Eliaquim de Paula
No Jogo do Poder desta quarta-feira, (11) os comentaristas repercutiram a reação política à regra que limita o transporte escolar da rede municipal a estudantes que moram a mais de 2,5 km da escola. Após a polêmica levantada no programa nos últimos dias, o vereador Leonidas Júnior protocolou um Projeto de Decreto Legislativo para sustar a portaria que estabelece a distância mínima.
O jornalista Arimatéia Carvalho explicou que, por se tratar de decreto legislativo, a medida não depende de sanção do prefeito Sílvio Mendes. “Os vereadores aprovando, já vai ter força de lei”, afirmou. Ele relembrou que o secretário municipal de Educação, Ismael Silva, havia confirmado no programa que o transporte só atende alunos cuja residência esteja a mais de dois quilômetros e meio da unidade escolar.
Arimatéia também destacou a justificativa apresentada por Leonidas Júnior aos colegas parlamentares. Segundo o vereador, a regra tem prejudicado contextos específicos, como a zona rural, famílias com dificuldades de locomoção e áreas urbanas marcadas pela violência. “Entendo que essa é uma regra que tem prejudicado contextos específicos”, diz trecho da justificativa, citando ainda o risco de abordagem criminosa no trajeto entre casa e escola.
O comentarista Eliezer Rodrigues reforçou o argumento da segurança. “Já temos alguns relatos de que facções às vezes tentam impedir determinados estudantes de estudarem em certas unidades”, afirmou, ao relatar casos envolvendo regiões dominadas por grupos rivais. Para ele, o transporte não é apenas questão de locomoção, mas também de proteção aos alunos.
Arimatéia acrescentou que pais de bairros como Vila Santa Bárbara e Árvores Verdes relataram risco concreto de evasão escolar. “O risco de evasão escolar aumentou”, disse, ao mencionar que algumas famílias já consideram não enviar os filhos à escola diante da dificuldade de deslocamento.
O posicionamento mais enfático veio de Amadeu Campos, que ampliou o debate. “Qual é o objetivo de uma secretaria de educação? Atender os estudantes, fazer com que toda criança esteja na escola”, afirmou. Para ele, não se pode abrir nenhuma brecha que facilite a ausência escolar, independentemente de fatores como PCD, zona rural ou violência.
Na mesma linha, Apoliana Oliveira criticou qualquer política que dificulte o acesso à sala de aula. “Lugar de criança é na sala de aula. Se o Poder Público não consegue facilitar isso, pra que que serve então?”, questionou, ao apontar incoerência entre campanhas de incentivo à frequência e medidas restritivas no transporte.
Encerrando o debate, Francy Teixeira criticou a “romantização” das dificuldades enfrentadas por estudantes de baixa renda. “O pobre não necessita estar se humilhando pra estudar”, afirmou. Para ele, o transporte escolar é o mínimo que o poder público deve garantir a quem mora distante da escola, sob risco de ampliar desigualdades e aumentar a evasão.