No Jogo do Poder desta segunda-feira (27), a nova ação popular que pede a suspensão da licitação do transporte escolar em Teresina repercutiu entre os comentaristas que deabteram sobre a situação enfrentada por estudantes da rede pública. A discussão vai além do processo licitatório e envolve diretamente o acesso de crianças e adolescentes à educação.
Segundo Eliézer Rodrigues, a ação apresentada aponta uma série de irregularidades no certame. “Desclassificação em massa de empresas concorrentes, suposto direcionamento para empresas específicas, falta de competitividade no certame e descumprimento de decisões do Tribunal de Contas do Estado”, destacou. Ele afirmou ainda que a licitação pode estar “carregada de vícios” e que a medida judicial busca esclarecer o processo.
Amadeu Campos lembrou que o problema começou antes mesmo da licitação, quando o debate girava em torno da distância mínima exigida para que alunos tivessem direito ao transporte escolar. “A prefeitura não queria pegar o aluno com a distância inferior a 2,5 quilômetros”, relembrou. O tema gerou forte repercussão por envolver estudantes que enfrentam longos trajetos a pé, muitas vezes sob sol forte, chuva e até situações de insegurança.
Apoliana Oliveira reforçou que o debate não se resume ao transporte em si, mas ao próprio direito de acesso à educação. “É a garantia de que esse garoto, essa garota, essa criança, adolescente, vai ter acesso à educação”, afirmou. Para ela, quando o poder público falha nesse ponto, compromete o mínimo necessário para estudantes de famílias mais vulneráveis.
Outro ponto levantado no programa foi o custo da licitação e as suspeitas sobre a execução do serviço. Amadeu destacou questionamentos sobre empresas vencedoras com valores mais altos e ônibus fora do padrão previsto no edital. Eliézer complementou citando a existência de veículos que sequer pertencem diretamente às empresas contratadas, o que levantou suspeitas sobre uma possível sublocação indireta.
Francy Teixeira lembrou ainda que o próprio Tribunal de Contas do Estado já havia suspendido, em março deste ano, a licitação de R$ 76 milhões, apontando supostos vícios. Para os comentaristas, a nova ação popular fortalece a necessidade de respostas mais claras da Prefeitura, enquanto pais e alunos seguem sendo os principais afetados pela insegurança no transporte escolar.