A proposta de integração do transporte público entre Teresina e Timon voltou a ser debate no programa Jogo do Poder desta quinta feira (30), com a promessa de criação de um sistema unificado para atender a região metropolitana. A iniciativa conta com apoio do BNDES e prevê investimentos que podem chegar a R$ 1,8 bilhão, além da reformulação do plano diretor do transporte urbano.
Segundo Francy Teixeira, a discussão já vinha sendo construída nos bastidores, com reuniões entre o prefeito de Teresina, Silvio Mendes, o prefeito de Timon Rafael Brito, equipes técnicas e representantes do banco. “A ideia é formar um sistema que atenda a uma região metropolitana que abarcaria Timon e Teresina”, destacou, acrescentando que os primeiros encaminhamentos práticos começam já nos próximos dias.
Entre os pontos centrais do projeto estão a criação de um novo plano diretor, a integração tarifária e a unificação do fluxo de passageiros entre as duas cidades. Hoje, os sistemas funcionam de forma separada, o que gera dificuldades para quem depende diariamente do deslocamento entre os municípios.
Apesar do avanço institucional, os comentaristas alertaram para o tempo de maturação do projeto. Ari Carvalho lembrou que iniciativas desse porte não têm efeito imediato. “Um plano diretor como esse leva um, dois, três anos para ser feito e aprovado”, afirmou, destacando ainda que os recursos do BNDES já discutidos anteriormente podem levar de cinco a seis anos para se concretizarem.
O modelo de gestão também entrou em debate. A proposta prevê a atuação de um consórcio entre Teresina e Timon, com presidência alternada entre os prefeitos. Para Amadeu Campos, isso exige cautela na execução. “Quando o bichinho de estimação tem dois donos, morre de fome e de sede”, disse, ao questionar quem deve ser o responsável pela operação prática do sistema no dia a dia.
Outro ponto levantado foi a diferença entre os modelos atuais de transporte nas duas cidades. Enquanto Timon avançou com uma gestão mais centralizada sob responsabilidade da prefeitura, Teresina ainda opera com empresas privadas via contratos. Essa divergência pode representar um desafio adicional na integração.
Para Apoliana Oliveira, o projeto é positivo no papel, mas ainda precisa provar sua viabilidade. “Muito bonita a iniciativa, só acredito vendo”, resumiu. Já Eliézer Rodrigues ponderou que, mesmo que a integração comece de forma gradual, o simples compartilhamento de experiências e estrutura já pode trazer algum alívio ao sistema atual.
Ao final, a avaliação geral no Jogo do Poder é que o projeto representa um primeiro passo importante, mas ainda cercado de dúvidas sobre prazos, execução e resultados práticos para a população que depende diariamente do transporte público.