- Comentaristas discutem falta de acessibilidade nas campanhas eleitorais e apelo por intérpretes de Libras.
- Vice-governador Themistocles Filho compromete-se a incluir intérpretes em sua campanha eleitoral.
- Ari Carvalho alerta que maioria das campanhas ignora a comunidade surda, com mais de 50 mil pessoas no Piauí.
- Eliézer Rodrigues defende que acessibilidade deve ultrapassar campanhas e ser aplicada em serviços públicos e privados.
- Francy Teixeira reforça necessidade de ampliar acessibilidade, incluindo audiodescrição nas campanhas eleitorais.
No Jogo do Poder desta quinta-feira (30), os comentaristas discutiram a falta de acessibilidade nas campanhas eleitorais e o apelo feito por representantes da comunidade surda para que candidatos incluam intérpretes de Libras em seus materiais de divulgação. O debate surgiu após uma reunião entre integrantes da Associação dos Surdos do Piauí e o vice-governador Themistocles Filho, que se comprometeu a adotar a medida em sua campanha.
Durante o programa, Ari Carvalho chamou atenção para o tamanho da comunidade surda no estado e afirmou que a maioria das campanhas ainda ignora esse público. Segundo ele, o compromisso firmado por Themistocles pode servir de exemplo para os demais candidatos. "Ele anunciou que a campanha que começa no dia 16 de agosto vai ter intérprete de Libras, sempre quando for divulgado o vídeo, tanto na propaganda eleitoral gratuita quanto na rede social dele."
O comentarista também fez um apelo para que as demais candidaturas adotem a mesma postura. "Eu fui olhar nos Instagrans dos outros candidatos, federal, estadual, tudo, não tem. Gente, é um desrespeito. São 50 mil pessoas, mais do que a maioria dos municípios piauienses tem de população. Então, mais respeito e acho que todos deveriam seguir esse exemplo", afirmou.
Ao reforçar a dimensão desse público, Francy Teixeira observou que apenas quatro municípios piauienses possuem população superior a 50 mil habitantes, destacando a importância de que esse segmento seja contemplado durante o período eleitoral.
Já Eliézer Rodrigues defendeu que a discussão vá além das campanhas políticas e alcance o cotidiano dos serviços públicos e privados. Segundo ele, há profissionais qualificados no mercado, mas ainda faltam oportunidades de trabalho. "As repartições públicas, por lei, têm a obrigação de oferecer no atendimento ao público a presença do intérprete de Libras. Isso deveria estar no comércio, nas lojas, nos hospitais, delegacias. Todos deveriam ter essa assistência, e não tem."
Eliézer acrescentou que as campanhas também podem contribuir para ampliar a inclusão e gerar oportunidades para esses profissionais. "Hoje tem mão de obra no mercado, mas falta oportunidade. Quando vem uma campanha política dessa, é o momento que eles são lembrados. Eles querem também esses intérpretes profissionais fazer a sua renda, e é justo, é necessário."
Ao final do debate, Francy Teixeira lembrou que a acessibilidade deve ser ainda mais ampla. Para ela, além da Libras, as campanhas também precisam investir em audiodescrição, ampliando o acesso das pessoas com deficiência visual às informações do processo eleitoral