Escrito por Eliaquim de Paula
No Jogo do Poder desta quinta-feira (05), os comentaristas analisaram a decisão da Câmara Municipal de Teresina de adotar, de forma permanente, a tradução simultânea das sessões ordinárias em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A medida permite que pessoas surdas acompanhem, em tempo real, os debates e votações transmitidos pela TV Câmara e pelo YouTube.
O jornalista Arimatéria Carvalho destacou que a iniciativa demorou a sair do papel, tanto no Legislativo municipal quanto no estadual.
“Por incrível que pareça, a Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores de Teresina ainda não tinham se debruçado sobre isso”, afirmou.
Ele lembrou que a Assembleia saiu na frente e que agora a Câmara segue o mesmo caminho, garantindo acessibilidade contínua, e não apenas em sessões pontuais.
Arimatéria ressaltou ainda o impacto direto para a comunidade surda:
“Isso significa acessibilidade e inclusão”. Ele citou as intérpretes contratadas, Josiele de Moura e Teresa Cristiele Pinheiro, e frisou que, a partir de agora, o público poderá “saber o que os vereadores estão falando, conhecer os projetos de lei, as propostas que eles estão fazendo”. Para o jornalista, trata-se de um avanço necessário e tardio: “É uma medida que demorou, mas antes tarde do que nunca”.
O comentário mais enfático veio de Amadeu Campos, que falou a partir de sua vivência como pessoa com deficiência.
“O Censo de 2022 apontou 50 mil pessoas surdas, e esses censos sempre subestimam”, alertou.
Amadeu classificou como grave o fato de esse público ter sido ignorado por tanto tempo:
“As pessoas com deficiência são invisíveis aos olhos de quem tem poder”.
Em tom crítico, Amadeu reforçou o quanto a ausência de Libras afastou milhares de cidadãos do debate público.
“Imagina assuntos que são tratados de interesse do estado, de interesse da cidade, e como ele é surdo, ele não tá sabendo do que trata, não tá acompanhando, não tá fazendo parte do debate público”.
Para ele, o atraso é imperdoável, ainda que comece a ser corrigido:
“Começa a ser sanada, com atraso, mas começa a ser sanada”.
O comentarista também chamou atenção para o baixo custo da medida diante do impacto social.
“O investimento é muito pequeno, é ínfimo você ter um grupo de intérpretes de Libras na Assembleia e na Câmara”, disse, ao criticar o preconceito estrutural contra pessoas com deficiência.“O brasileiro é muito preconceituoso com as pessoas com deficiência”, afirmou, relatando experiências pessoais de discriminação.
Já Eliezer Rodrigues lembrou que a iniciativa vai além de boa vontade e cumpre a lei.
“Libras é língua oficial, é idioma oficial no Brasil, tal como a língua portuguesa”, pontuou.
Segundo ele, a legislação já garante o direito à informação e ao acesso aos serviços públicos, tornando a presença de intérpretes uma obrigação do Estado, e não um favor.
No conjunto, os comentaristas do Jogo do Poder avaliaram a decisão da Câmara como um avanço civilizatório, mas também como um retrato do quanto a pauta da acessibilidade ainda avança a passos lentos no poder público.