- Hospital São Marcos anuncia suspensão parcial de admissões oncológicas, com exceções para pediátrica e hemato-oncologia.
- Crise financeira força hospital a pedir reforço mensal de R$ 4,2 milhões para manter atendimentos oncológicos pelo SUS.
- Unidade é referência em oncologia no Piauí, responsável por mais de 90% dos tratamentos de câncer no estado.
- Recursos da Tabela SUS e complemento da Sesapi totalizam cerca de R$ 72 milhões anuais, considerados insuficientes.
- Produção hospitalar entre 2025 e 2026 inclui 59.325 sessões de quimioterapia e 5.524 internações oncológicas.
O Hospital São Marcos esclareceu, nesta quarta-feira (8), que a suspensão anunciada para o ingresso de novos pacientes oncológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) terá exceções. A unidade informou que continuará admitindo novos casos da oncologia pediátrica e também da subespecialidade de hemato-oncologia, enquanto as demais especialidades permanecem temporariamente sem novas admissões.
A medida foi adotada em meio à crise financeira enfrentada pela instituição, que afirma necessitar de um reforço mensal de R$ 4,2 milhões para manter a assistência oncológica pelo SUS. Os pacientes que já estão em tratamento, no entanto, terão a continuidade da assistência garantida, segundo o hospital.
Exceções à suspensão
Após comunicar a interrupção do recebimento de novos pacientes oncológicos, a direção detalhou que a restrição não será aplicada aos atendimentos da oncologia pediátrica, área na qual o São Marcos concentra praticamente todos os casos de câncer infantil do estado.
Também permanecerão sendo admitidos novos pacientes da hemato-oncologia, especialidade voltada ao tratamento de cânceres que acometem o sangue, a medula óssea e o sistema linfático.
Nas demais áreas da oncologia, entretanto, a suspensão de novos atendimentos continua em vigor. A direção reforçou que os pacientes que já realizam tratamento na instituição seguirão recebendo toda a assistência necessária, sem interrupção.
Crise financeira
A confirmação das exceções ocorre após a coletiva de imprensa realizada pela direção do hospital, quando foi apresentado o cenário financeiro da instituição. Segundo o São Marcos, são necessários R$ 4,2 milhões adicionais por mês para equilibrar as contas e assegurar a manutenção dos atendimentos oncológicos pelo SUS, o que representa um aporte anual de R$ 50,4 milhões.
Mantido pela Associação Piauiense de Combate ao Câncer, o Hospital São Marcos é considerado a principal referência em oncologia no Piauí, respondendo por mais de 90% dos tratamentos de câncer realizados no estado e praticamente 100% dos casos de oncologia pediátrica. A unidade dispõe de 100 leitos exclusivos para pacientes do SUS.
Produção hospitalar
Dados apresentados pela direção mostram a dimensão da assistência prestada entre maio de 2025 e abril de 2026. Nesse período, foram realizadas:
- 59.325 sessões de quimioterapia, média de 4.944 por mês;
- 2.039 sessões de radioterapia;
- 5.524 internações oncológicas;
- 39.823 consultas e atendimentos em oncologia;
- 192.707 procedimentos ambulatoriais.
De acordo com a administração do hospital, esse volume evidencia que a instituição sustenta praticamente sozinha a rede pública de alta complexidade em oncologia no estado.
Recursos insuficientes
Atualmente, o Hospital São Marcos recebe cerca de R$ 6 milhões por mês por meio da Tabela SUS, totalizando aproximadamente R$ 72 milhões anuais. Além desse valor, a unidade conta com um complemento mensal de R$ 900 mil repassado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), montante que corresponde a cerca de 15% da produção hospitalar.
Mesmo com esses repasses, a direção afirma que os recursos não são suficientes para custear a estrutura necessária ao atendimento da elevada demanda por tratamentos especializados, cenário que motivou a suspensão parcial da entrada de novos pacientes nas especialidades oncológicas não contempladas pelas exceções anunciadas nesta quarta-feira.