- Pré-candidatos piauienses arrecadam R$ 734 em doações.
- Dr. Maurício Soares lidera com R$ 210, seguido por Marcus Kauan com R$ 166.
- Nacionalmente, Renan Santos tem o maior volume de recursos (R$ 655.067,77).
- Financiamento coletivo é uma alternativa para mobilização de apoiadores, mas ainda não ganhou tração no Piauí.
A pouco mais de quatro meses das eleições de 2026, os números do financiamento coletivo eleitoral ainda avançam em ritmo lento entre os pré-candidatos piauienses. Levantamento realizado pelo MeioNews nesta quarta-feira (3) na principal plataforma de crowdfunding voltada para campanhas políticas mostra que as arrecadações permanecem modestas no estado, mesmo após a liberação legal para a captação antecipada de recursos.
Os dados revelam que os cinco pré-candidatos do Piauí cadastrados na plataforma somam apenas R$ 734 em doações, distribuídas entre 14 apoiadores.
RANKING NO PIAUÍ
Na liderança aparece Dr. Maurício Soares (PL), pré-candidato a deputado federal, com R$ 210 arrecadados junto a dois apoiadores.
Em seguida está Marcus Kauan (Missão), também pré-candidato à Câmara Federal, que recebeu R$ 166 de dois doadores.
A terceira posição é ocupada por Antônio Barros (Novo), que pretende disputar uma vaga ao Senado. Ele soma R$ 160 obtidos por meio de seis apoiadores, o maior número de contribuintes entre os piauienses listados.
Na sequência aparecem Israel Oliver (Missão), pré-candidato a deputado estadual, com R$ 146 arrecadados, e Toni Rodrigues (PL), que busca viabilizar uma candidatura ao Governo do Estado e contabiliza R$ 52 em contribuições.
O cenário mostra que os valores ainda estão distantes das cifras registradas por nomes que lideram as campanhas de arrecadação em âmbito nacional.
COMO FUNCIONA A VAQUINHA ELEITORAL
Desde o início do período autorizado pela Justiça Eleitoral, pré-candidatos já podem mobilizar apoiadores para receber contribuições por meio das chamadas "vaquinhas virtuais".
A modalidade foi incorporada à legislação brasileira na reforma eleitoral de 2017 e permite que cidadãos façam doações pela internet para auxiliar no financiamento das campanhas.
Apesar da autorização para iniciar a arrecadação, os recursos somente podem ser transferidos aos candidatos após o cumprimento de exigências legais, entre elas a abertura de conta bancária específica para campanha e a emissão dos respectivos recibos eleitorais.
REGRAS DO TSE
O modelo de financiamento coletivo é operado exclusivamente por empresas autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As plataformas precisam identificar todos os doadores por meio de nome e CPF, emitir recibos, divulgar os valores arrecadados em tempo real e informar imediatamente as doações à Justiça Eleitoral.
Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu doações empresariais em 2015, apenas pessoas físicas podem contribuir financeiramente para campanhas políticas.
Atualmente, quatro empresas estão habilitadas pelo TSE para atuar no processo de arrecadação coletiva das eleições de 2026: AppCívico Consultoria Ltda., Elegis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia e QueroApoiar.com.br Ltda.
DIREITA LIDERA NO PAÍS
Enquanto os pré-candidatos piauienses ainda buscam ampliar sua base de apoiadores, o cenário nacional apresenta arrecadações significativamente maiores.
O maior volume de recursos até o momento pertence a Renan Santos, que contabiliza R$ 655.067,77 em doações provenientes de 11.407 apoiadores.
Na segunda colocação aparece Jones Manoel, do PSOL, com R$ 344.243,91 arrecadados e 7.713 apoiadores.
Fechando o top 3 está Marcel van Hattem, do Novo, que soma R$ 221.258 em contribuições.
Também figuram entre os cinco primeiros Humberto Matos, do PCdoB, com R$ 119.601,16, e Elias Jabbour, que registra R$ 92.076,17 em doações.
QUINTA EXPERIÊNCIA
As eleições de 2026 marcam a quinta vez em que o financiamento coletivo é utilizado no país. O mecanismo já esteve presente nos pleitos de 2018, 2020, 2022 e 2024.
Nas eleições municipais de 2024, as vaquinhas virtuais movimentaram mais de R$ 7 milhões em todo o Brasil. Dados da Justiça Eleitoral apontam que 160 candidatos a prefeito declararam receitas oriundas dessa modalidade de arrecadação, incluindo 12 gestores que acabaram eleitos ainda no primeiro turno.