- Candidato ao Governo do Piauí, Santiago Belizário, apresenta plano de reforma da segurança pública com mudanças na estrutura das polícias e fim de operações violentas.
- Proposta inclui formação de policiais com foco em direitos humanos, antirracismo e feminismo, além de critérios de progressão de carreira baseados em valores sociais.
- Plano defende transformação das penitenciárias em Unidades de Reeducação Popular, com parcerias para ressocialização e oportunidades de emprego para condenados.
- Documento também prevê ações conjuntas com Polícias Federal e Rodoviária Federal para investigar e prender criminosos de alta periculosidade, incluindo políticos e policiais corruptos.
O candidato ao Governo do Piauí Santiago Belizário apresenta, em seu plano de governo, uma proposta de reformulação profunda da política de segurança pública do Estado. Entre as medidas previstas estão a substituição das penitenciárias por “Unidades de Reeducação Popular”, mudanças na formação de policiais e o fim de operações consideradas violentas nas comunidades.
SEGURANÇA PÚBLICA
O plano defende uma mudança na estrutura das polícias Civil e Militar, respeitando os limites do atual marco constitucional. Para a formação de novos agentes, Santiago propõe a adoção de critérios que incluam direitos humanos, não letalidade, antirracismo e feminismo.
A proposta também prevê alterações nos critérios de progressão das carreiras policiais. Segundo o documento, o avanço profissional deverá estar condicionado ao atendimento de requisitos relacionados a direitos humanos e sociais, com o objetivo de desestimular o que o candidato classifica como valorização da truculência policial.
FIM DAS OPERAÇÕES VIOLENTAS
Outro ponto de destaque é a proposta de acabar com operações policiais violentas nas comunidades. No lugar dessas ações, o candidato defende o fortalecimento do trabalho de inteligência em todo o Piauí, acompanhado de maior fiscalização e controle sobre armas e munições sob responsabilidade do governo estadual.
A ideia representa uma mudança na estratégia tradicional de enfrentamento à criminalidade, priorizando investigação e inteligência em vez de operações ostensivas nas comunidades.
PRESÍDIOS COMO “UNIDADES DE REEDUCAÇÃO”
No sistema penitenciário, o plano propõe uma transformação ainda mais ampla. Santiago Belizário defende transformar penitenciárias e cadeias em “Unidades de Reeducação Popular”.
Pelo projeto, esses espaços seriam destinados à formação, acompanhamento psicossocial e profissionalização de pessoas em conflito com a lei. A proposta prevê ainda parcerias com empresas, associações de bairro e organizações não governamentais para ampliar as oportunidades de ressocialização.
O governo também daria atenção e oportunidades de emprego a condenados que se destacassem nos processos de formação oferecidos pelas unidades.
CRÍTICAS À ESTRUTURA ATUAL
O candidato também propõe ampliar os investimentos no sistema socioeducativo, com o argumento de que é necessário superar problemas considerados crônicos de estrutura, segurança e pessoal.
Outro trecho do plano estabelece que o governo trabalhe em conjunto com as Polícias Federal e Rodoviária Federal para investigar e prender criminosos considerados de alta periculosidade.
Nesse ponto, o documento faz uma afirmação de forte repercussão política ao dizer que esses criminosos “não são moradores de comunidade”, mas incluem “pessoas com cargos públicos, empresários, políticos e policiais corruptos” que, segundo o plano, utilizariam privilégios e negócios de fachada para se esconder.