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Chico Lucas defende proibição das bets e cita operações contra lavagem de dinheiro

Segundo Chico Lucas, no período foram realizadas 236 operações pelas polícias Civil e Federal relacionadas a crimes envolvendo plataformas de apostas.

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  • Secretário de Segurança do Piauí defende proibição de apostas online, afirmando que regulamentação não impediu atuação do crime organizado.
  • Operações policiais entre 2022 e 2026 resultaram em mais de 480 prisões e 1,6 mil mandados de busca e apreensão relacionados a bets.
  • Chico Lucas destacou que empresas autorizadas foram usadas para lavagem de dinheiro, incluindo casos no Rio de Janeiro envolvendo Loterj e RioPag.
  • Secretário argumenta que proibição facilita combate a crimes, enquanto pede bloqueio de CNPJs e CPFs suspeitos de envolvimento ilegal.
  • Reconhece origem de recursos do Fundo Nacional de Segurança nas bets, mas prioriza proteção das famílias sobre financiamento da segurança.
Secretario Chico Lucas | Foto: CCOM/Governo do Piauí
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O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, defendeu a proibição das plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, e afirmou que a regulamentação do setor não foi suficiente para impedir a atuação do crime organizado. Durante um debate sobre o tema, o gestor apresentou dados de operações policiais realizadas entre janeiro de 2022 e setembro de 2026 e apontou o uso de empresas autorizadas para esquemas de lavagem de dinheiro.

Segundo Chico Lucas, no período foram realizadas 236 operações pelas polícias Civil e Federal relacionadas a crimes envolvendo plataformas de apostas. As ações resultaram em mais de 480 prisões e no cumprimento de mais de 1,6 mil mandados de busca e apreensão. O secretário também mencionou que as ordens judiciais expedidas somaram R$ 17,8 bilhões.

Na avaliação do secretário, os números demonstram que a regulamentação das bets não conseguiu proteger a sociedade da infiltração de organizações criminosas no setor. Ele ressaltou que parte das investigações envolveu empresas que possuíam autorização para funcionar.

“E muitas dessas operações foram realizadas por plataformas regulamentadas, por plataformas que tinham outorga. Ou seja, a regulamentação não protegeu a sociedade”, afirmou.

Casos no Rio de Janeiro

Durante sua manifestação, Chico Lucas também citou investigações realizadas no Rio de Janeiro para exemplificar como estruturas ligadas às apostas teriam sido utilizadas para movimentar recursos ilícitos.

Um dos casos mencionados envolve a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), que, segundo o secretário, teria sido utilizada por plataformas cooptadas por integrantes do crime organizado. Ele citou uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), sobre pessoas ligadas ao jogo do bicho que teriam utilizado uma empresa autorizada para lavar dinheiro.

O secretário também mencionou uma investigação envolvendo a empresa RioPag, responsável pela administração de valores relacionados às apostas. De acordo com ele, um dos sócios da companhia teria movimentado mais de R$ 5 bilhões em apostas, figurando entre os maiores apostadores do país.

Defesa da proibição

Chico Lucas argumentou que a proibição das apostas facilita a identificação e o combate às atividades ilegais. Para ele, a medida elimina a dificuldade de diferenciar operadores autorizados daqueles envolvidos em práticas criminosas.

O gestor também destacou novos mecanismos de fiscalização e responsabilização das plataformas digitais pela publicidade de jogos ilegais.

Outro ponto abordado foi o bloqueio de empresas e pessoas físicas suspeitas de envolvimento com o mercado ilegal. Chico Lucas afirmou que existem centenas de CNPJs e CPFs identificados pelas autoridades, com pedidos de bloqueio encaminhados pelo Ministério da Justiça e pelo Ministério da Fazenda ao Banco Central e às instituições financeiras.

Segurança pública abre mão de recursos das bets

Ao final da manifestação, o secretário rebateu o argumento de que a proibição das apostas poderia prejudicar o financiamento da segurança pública. Ele reconheceu que parte dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública tem origem na arrecadação das bets, mas afirmou que a proteção das famílias deve ser prioridade.

“Se precisarmos de recursos das bets para proteger as famílias, destruindo as famílias, nós abrimos mão desses recursos”, declarou.

Chico Lucas também avaliou que o país teve um cenário melhor nos últimos 30 dias sem as plataformas de apostas. “Porque eu tenho certeza que nos últimos 30 dias o Brasil viveu muito melhor sem as bets”, concluiu.

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