- Preço das carnes subiu 17,75% entre 2023 e 2026, contra 72,84% no governo Bolsonaro.
- Durante o governo Lula, a inflação das carnes ficou próxima ao IPCA, que acumulou 17,90%.
- A picanha teve alta de 33,42% em 32 meses sob Bolsonaro, contra 7,81% em 44 meses sob Lula.
- Alimentos em geral tiveram maior inflação durante Bolsonaro, com aumento de 44,22% no grupo "Alimentação e bebidas".
- Variações externas, como exportações e crises, influenciaram os preços das carnes em ambos os governos.
O preço das carnes acumulou alta de 17,75% nos primeiros 44 meses do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No mesmo período do governo Jair Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, as carnes haviam registrado aumento de 72,84%. O percentual é cerca de quatro vezes superior ao acumulado no atual governo.
A diferença também pode ser observada na comparação com a inflação geral de cada período. Durante o governo Lula, a alta das carnes ficou próxima ao IPCA, que acumulou 17,90%. Já na gestão Bolsonaro, o preço das carnes subiu quase três vezes mais que a inflação geral, que ficou em 25,26%.
O levantamento considera períodos de mesma duração: os primeiros 44 meses de cada governo, utilizando como base as variações mensais divulgadas pelo IBGE.
Picanha
A análise considera o item “carnes” porque o IBGE passou a incluir o subitem “picanha” na composição do índice somente em janeiro de 2020, um ano após o início do governo Bolsonaro. A mudança dificulta uma comparação direta entre os dois períodos.
Entre janeiro de 2020 e agosto de 2022, período de 32 meses, a picanha acumulou alta de 33,42% durante o governo Bolsonaro. Já entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, nos 44 meses do governo Lula, o mesmo corte registrou aumento de 7,81%.
Para comparar períodos com a mesma duração, entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, também 32 meses, a alta da picanha foi de 20,71%.
A picanha ganhou destaque durante a campanha presidencial de Lula em 2022, quando o então candidato prometeu que os brasileiros voltariam a comer o corte acompanhado de cerveja. Desde então, o preço do produto passou a ser utilizado pela oposição como argumento para criticar a política econômica do atual governo.
Inflação dos alimentos foi maior durante Bolsonaro
O comportamento das carnes acompanha a trajetória dos preços dos alimentos em geral. Entre 2019 e 2022, os produtos alimentícios tiveram aumento acima da inflação. Já entre 2023 e 2026, a alta ficou abaixo do índice geral. Os alimentos representam uma parcela maior do orçamento das famílias de menor renda.
Durante o governo Bolsonaro, o grupo “Alimentação e bebidas” acumulou alta de 44,22%. Já o subgrupo “Alimentação no domicílio”, que reúne os produtos adquiridos em supermercados e feiras para consumo em casa, teve aumento de 54,22%, mais que o dobro do IPCA no período.
Na gestão Lula, o cenário foi diferente. O grupo “Alimentação e bebidas” registrou alta de 15,92%, enquanto “Alimentação no domicílio” avançou 12,93%. Ambos os índices ficaram abaixo da inflação geral, de 17,90%.
Quando a inflação é descontada, os alimentos consumidos em casa ficaram 23,1% mais caros em termos reais durante o governo Bolsonaro. Na gestão Lula, houve redução real de 4,2%.
No caso das carnes, a alta real foi de 38% durante o governo Bolsonaro. Já no governo Lula, o preço ficou praticamente estável em termos reais, com variação de -0,1%.
Variação anual das carnes
Durante o governo Bolsonaro, a maior parte da alta das carnes ocorreu já no primeiro ano de gestão. Em 2019, o item teve aumento de 32,41%, sendo que 18,06% desse avanço ocorreu somente em dezembro, maior alta mensal da série no período.
Em seguida, as carnes registraram aumentos de 17,97% em 2020, 8,47% em 2021 e 2,01% entre janeiro e agosto de 2022.
No governo Lula, o comportamento foi mais oscilante. Em 2023, as carnes tiveram queda de 9,38%. No ano seguinte, houve alta de 20,84%. Em 2025, o aumento foi de 1,24%. Já entre janeiro e agosto de 2026, o preço acumulou alta de 6,21%.
Fatores externos influenciaram os preços
Os números mostram a evolução dos preços das carnes, mas não permitem atribuir as diferenças exclusivamente às políticas adotadas por cada governo. Parte das variações está relacionada a fatores externos e condições que não estão diretamente sob controle do Palácio do Planalto.
A forte alta registrada no fim de 2019, por exemplo, ocorreu em um período de aumento das exportações de carne para a China, após a peste suína africana provocar uma redução no rebanho de suínos daquele país.
Nos anos de 2020 e 2021, a pandemia de Covid-19, a desvalorização do real e a valorização global das commodities também pressionaram os preços dos alimentos.
Durante o governo Lula, a oscilação das carnes acompanhou o chamado ciclo do boi. Períodos de maior oferta para abate tendem a pressionar os preços para baixo, como ocorreu em 2023. Já fases de retenção do rebanho costumam provocar aumento dos preços, como observado em 2024.
Além disso, eventos climáticos extremos provocaram prejuízos e alteraram o planejamento de produtores rurais em diferentes regiões do país, entre outros fatores que também contribuíram para a variação dos preços.