- A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) acendeu o sinal de alerta para os efeitos do El Niño no estado.
- O fenômeno já está presente no Oceano Pacífico e deve ganhar intensidade nos próximos meses, elevando o risco de temperaturas extremas, baixa umidade do ar e redução das chuvas.
- A probabilidade de que o evento alcance intensidade forte a partir de setembro é superior a 60%.
- O El Niño pode influenciar a estação chuvosa e causar impactos ambientais, incluindo aumento dos incêndios florestais e redução das precipitações.
A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) acendeu o sinal de alerta para os efeitos do El Niño no estado. De acordo com a Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos, o fenômeno já está presente no Oceano Pacífico e deve ganhar intensidade nos próximos meses, elevando o risco de temperaturas extremas, baixa umidade do ar, queimadas e redução das chuvas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, provocando alterações nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta. Segundo os especialistas da Semarh, há mais de 60% de probabilidade de que o evento alcance intensidade forte a partir de setembro.
FORTALECIMENTO
O climatologista da Semarh, Pedro Aderaldo, explica que o fenômeno já está em curso, embora seus impactos mais severos ainda não sejam percebidos pela população.
“O El Niño já está instaurado, por enquanto em intensidade fraca . Ainda não estamos sentindo plenamente seus efeitos, mas entre setembro e fevereiro existe uma probabilidade superior a 60% de ele evoluir para se ter uma fase forte”, explicou.
Segundo o especialista, o aquecimento acima da média das águas do Pacífico central interfere diretamente na circulação atmosférica e pode alterar significativamente o comportamento climático do Nordeste brasileiro.
CALOR E AR SECO
A meteorologista da Semarh, Sônia Feitosa, destaca que os primeiros reflexos deverão ser sentidos justamente durante o período mais quente do ano no estado.
“O El Niño acontece justamente em uma época que já é naturalmente muito quente no Piauí. Por isso, teremos uma maior incidência de temperaturas extremas e redução da umidade do ar. Isso afeta a saúde da população, compromete a vegetação e aumenta significativamente o risco de incêndios florestais”, afirmou.
A combinação de calor intenso e baixa umidade favorece o ressecamento da vegetação, ampliando as condições para a ocorrência de queimadas e incêndios em áreas urbanas e rurais.
IMPACTOS NAS CHUVAS
Os especialistas avaliam que os efeitos mais imediatos devem ocorrer entre junho e novembro, período marcado por temperaturas elevadas. No entanto, caso o fenômeno mantenha sua força até o início de 2027, também poderá influenciar a estação chuvosa.
“Se essa intensificação se confirmar até janeiro de 2027, poderemos ter impactos também sobre as chuvas. O alerta entre dezembro e fevereiro passa a ser para uma possível redução dos volumes pluviométricos, justamente durante a estação chuvosa”, ressaltou Sônia.
A meteorologista reforça que a ocorrência do El Niño já está confirmada e que a tendência é de fortalecimento entre setembro deste ano e fevereiro de 2027, quando o sistema deverá começar a perder intensidade gradualmente.
RISCOS PARA O CAMPO
Além dos impactos ambientais, a possível redução das precipitações preocupa especialistas por seus reflexos na economia rural. A menor disponibilidade de água pode afetar lavouras, reduzir a produtividade agrícola e comprometer a criação de animais.
A situação é considerada especialmente delicada para agricultores familiares, que dependem diretamente das chuvas para garantir a produção e a subsistência de suas famílias.
HISTÓRICO
Os registros climáticos mostram que os episódios mais intensos de El Niño ocorreram nos períodos de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016. Nessas ocasiões, as temperaturas das águas do Pacífico chegaram a ficar até três graus Celsius acima da média histórica.
Enquanto acompanham a evolução do fenômeno, os técnicos da Semarh reforçam que o principal desafio para o Piauí nos próximos meses será lidar com um cenário de calor mais intenso, ar mais seco, aumento dos incêndios florestais e possíveis impactos sobre o regime de chuvas no início de 2027.