- O governo do Brasil discorda das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos EUA sobre trabalho forçado.
- Palácio do Planalto classificou a medida como protecionista e ameaça recorrer à Lei da Reciprocidade.
- O Brasil é acusado de não ter mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
- Governo brasileiro busca manter diálogo com EUA e evitar adoção de novas tarifas.
O governo do Brasil afirmou nesta quarta-feira (3) que discorda de forma "profunda" das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas falhas de 59 países, incluindo o Brasil, no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Em resposta, o Palácio do Planalto classificou a medida como protecionista e informou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade caso os Estados Unidos adotem novas barreiras comerciais contra o país. A reação ocorre após o governo norte-americano concluir uma investigação que avaliou as políticas de fiscalização de diversos países. O relatório apontou que o Brasil e outras nações não teriam mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, o USTR recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos desses países. Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que a questão trabalhista está sendo utilizada como justificativa para medidas comerciais unilaterais. O comunicado também destacou que o Brasil poderá utilizar instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder a eventuais ações consideradas injustas. "É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais", afirmou o Palácio do Planalto. O governo acrescentou que se reserva o direito de adotar medidas equivalentes para proteger os interesses nacionais e reduzir possíveis impactos sobre a economia brasileira. Na manifestação enviada aos Estados Unidos durante o processo de investigação, o governo brasileiro afirmou ter apresentado informações detalhadas sobre a legislação e os mecanismos de fiscalização existentes no país. Segundo o comunicado, a Receita Federal (RF) e outros órgãos de controle possuem autorização legal para impedir a entrada de mercadorias que atentem contra a ordem pública ou que tenham sido produzidas com trabalho forçado. O governo também ressaltou que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma referência mundial no combate ao trabalho escravo contemporâneo. Além disso, o documento destaca que acordos comerciais firmados pelo Mercosul já incluem compromissos relacionados à eliminação do trabalho forçado, incluindo tratados assinados com o Chile, a União Europeia (UE) e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Apesar da divergência com as conclusões do relatório americano, o governo brasileiro informou que pretende manter o diálogo com os Estados Unidos. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirmou que continua disponível para cooperar com as autoridades norte-americanas em temas relacionados à proteção dos trabalhadores. Nos bastidores, diplomatas brasileiros defendem a continuidade das negociações para evitar a adoção de novas tarifas e preservar as relações comerciais entre os dois países. A orientação do governo segue sendo a busca por um entendimento que impeça o agravamento da disputa. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, afirmou que a reciprocidade é um instrumento legítimo de defesa dos interesses nacionais, mas defendeu cautela na condução das negociações. Enquanto as conversas seguem, o governo brasileiro afirma que continuará acompanhando o caso e adotará medidas para proteger a economia, os empregos e a renda dos brasileiros diante de possíveis sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos.Governo vê protecionismo
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Busca por acordo continua
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