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Brasil busca negociação com Estados Unidos antes de decisão sobre tarifas

Governo brasileiro tenta evitar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros com Estados Unidos até 15 de julho.

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  • Governo brasileiro busca negociação final com EUA antes da decisão sobre tarifas de 25%.
  • Reunião com representante comercial dos EUA deve ocorrer no grupo de trabalho tarifário.
  • Presidente Lula reúne ministros para avaliar situação e definir estratégia diante da decisão.
  • Apesar da pressão, Brasil mantém estratégia de negociação técnica sem concessões inadequadas.
  • Governo apresenta propostas para responder às preocupações da investigação da Seção 301.
Brasil busca negociação com EUA antes de decisão sobre tarifas | Foto: Reprodução
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca uma última rodada de negociações com os Estados Unidos antes da decisão sobre a possível imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A definição norte-americana deve ocorrer até a próxima quarta-feira (15), com base na investigação conduzida pela chamada "Seção 301" da legislação comercial dos EUA.

Segundo fontes envolvidas nas tratativas, o Palácio do Planalto tenta agendar uma reunião com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O encontro deve ocorrer no âmbito do grupo de trabalho criado para discutir questões tarifárias entre os dois países. A expectativa do governo brasileiro é que Greer apresente, durante a reunião, um indicativo da decisão final sobre a investigação. Caso aconteça, será o quinto encontro entre o representante norte-americano e integrantes do governo brasileiro.

Na última sexta-feira (10), o presidente Lula reuniu ministros para avaliar o andamento das negociações e definir a estratégia para os dias que antecedem a decisão. Durante a reunião, os integrantes do governo apresentaram um panorama das conversas e avaliaram que o cenário mais provável continua sendo a aplicação da tarifa de 25% a partir de 15 de julho.

De acordo com fontes do Palácio do Planalto, essa avaliação é sustentada por sinais considerados desfavoráveis nas negociações, pelo histórico da política comercial da administração de Donald Trump e por recentes declarações de Jamieson Greer.

Em entrevista concedida na quinta-feira (9), o chefe do USTR afirmou que as conversas com o Brasil continuam, mas reconheceu que ainda há grande distância entre as posições dos dois países. Segundo ele, a decisão será anunciada em breve devido ao prazo legal que se encerra em 15 de julho.

Apesar da pressão, Lula determinou que o Brasil mantenha a estratégia adotada até o momento: continuar as negociações em nível técnico, sem fazer concessões consideradas inadequadas pelo governo. Com isso, temas sensíveis para os Estados Unidos, como mudanças nas tarifas sobre o etanol, permanecem fora das discussões.

Participaram da reunião representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério das Relações Exteriores, que lideram as negociações brasileiras no grupo de trabalho criado para tratar do possível tarifaço.

Embora a aplicação das tarifas seja vista como o cenário mais provável, o governo também considera, ainda que de forma remota, a possibilidade de um adiamento da medida. Nos bastidores, essa hipótese é relacionada à possibilidade de os Estados Unidos utilizarem a postergação como forma de ampliar o impacto político da atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas discussões sobre o tema.

Plano brasileiro

Como parte da estratégia para evitar as tarifas, o governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos um conjunto de propostas para responder às preocupações levantadas na investigação da "Seção 301", que fundamenta a ameaça de taxação.

O documento aborda medidas relacionadas aos seis principais pontos da investigação, que incluem temas como combate à corrupção, políticas ambientais e controle do desmatamento. Entretanto, o governo deixou claro que o sistema de pagamentos Pix não será objeto de negociação e, por isso, ficou de fora da proposta.

Parte das iniciativas apresentadas já está em tramitação no Congresso Nacional, enquanto outras correspondem a medidas infralegais elaboradas pelo próprio governo federal, segundo apuração da CNN.


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